segunda-feira, 3 de agosto de 2015

FIMMarvão 2015


Acabou e já tenho saudades. O 2º Festival Internacional de Música de Marvão decorreu ao longo de duas semanas. Mais de 40 espectáculos, exposições, palestras. Muitos visitantes, muito público, sempre.
Um sucesso. Daqueles bem grandes, a provar a todos, que mesmo se tratando de uma terra do interior português, quando as iniciativas têm qualidade, o público aparece.
Cultura, elevação e magia num cenário de sonho. O sonho do nosso maestro.
Agradecer será sempre pouco. A TODOS que estiveram envolvidos, expressos no cansaço notório do Humberto e do Pedro . A TODOS os que estiveram envolvidos, expressos no sorriso sempre constante do Maestro Poppen e da fantástica Julianne.
De notar que à semelhança do ano passado, o Maestro fez questão de convidar toda a população da vila para assistir gratuitamente ao concerto de despedida. Como aqui todos nos conhecemos, fiquei feliz ao verificar que imensa gente aderiu e esteve presente.
Podia colocar aqui uma foto do concerto de ontem, o concerto da despedida, com mais uma vez casa cheia e ainda um sem número de gente espalhada pelas muralhas do 2º pátio do Castelo.
Mozart a dizer: Adeus, até para o ano!
Mas não, escolho a foto que a Núria, fantástica voluntária me mandou para o meu mural.
A minha filha, o meu sobrinho e o pôr do sol visto da muralha, para os lados de Castelo de Vide.
A minha filha marvanense que durante duas semanas ouviu Mozart, Mendelssohn, Strauss, Haydn, Schubert, Kodaly, Mahler, Beethoven, Viana da Mota.
Que a música clássica perdure dentro de todos nós, privilegiados por participar deste evento. Até à terceira edição, até ao próximo verão.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Bem visto

- Ai agora o papel higiénico é perfumado?
- Sim, esse é, mas há também do normal, quer que troque?
- Ai menina, não vale a pena, isso serve tudo para o mesmo...

(quando há vontade, todos nos entendemos :))

"Holla. I have a question: La posta, quando es abierta?"
(eu sorri, esta turista para fazer uma pergunta falou em três línguas. Eu respondi em português)
- Abre às duas

domingo, 26 de julho de 2015

A música regressou à Ammaia no segundo dia do Festival



Foi opção minha logo quando os bilhetes foram postos à venda e não me arrependi nada.
Troquei a gala inaugural do Festival de Música pelo primeiro dos concertos da Ammaia (Estágio Gulbenkian com a maestrina Joana Carneiro)
A presença do Aníbal, da Maria e da sua selecta gorilada (isto entre seguranças propriamente ditos e demais pápa croquetes) anunciados apenas um par de dias antes, só veio confirmar o que já tinha inicialmente previsto. As galas inaugurais são mais show off do que música propriamente dita. E sim, fiquei contente com o prestigio que a presença do Presidente da República significou para o evento, pena é tudo o resto que o acompanha.
Hoje, nem a má educação e a boçalidade dos chefinhos locais, que em vez de servirem de anfitriões chegaram atrasados,quando a música já soava, me entristeceu. Gente poucachinha não sabe que não se pode chegar tarde a concertos desta categoria, muito menos incomodar com movimentações quem já está sentado. Adiante…
Para além disso, eu conheço bem Marvão, sei que as noites no castelo, mesmo no Verão, são agrestes. Chega a uma hora em que os deuses sopram ventos frios que levam tudo pela frente.
Já na Aramenha, o verão é morno de dia e de noite, e eu lembro-me bem, de há uns anos atrás, que quando há música na Ammaia, as cigarras cantam em festa, as estrelas brilham serenas no céu, e Marvão fica lá ao longe, no alto, como um barco a bolinar.
Ammaia dos Romanos com música clássica. Casa cheia, bonita de gente e uma imensidão de jovens e talentosos músicos em palco. E ela, a maestrina (só o nome é bonito), franzina mas tão imensa, tão segura de si.
Ouviu-se Kodaly e Mahler. Eu só sei que os olhos se me encheram de lágrimas logo quando tudo começou e depois mais ao fim, quando a harpa acalmou tudo o resto, apaziguando a alma.
Na fila atrás da minha, o Maestro, a mulher e a filha também assistiam. Agora lembro-me da primeira vez que escrevi sobre ele, e como mais de dois anos depois, tudo cresceu de forma tão bonita, e hoje a música e a cultura enchem novamente Marvão
Ainda só estamos no segundo dia do Festival, e eu já me sinto tão feliz.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Lagar Museu Melara Picado Nunes - Galegos, Marvão



Foi este o lagar que visitei na passada quarta feira com os meus filhos. 
Já o conhecia. Num dia frio de Janeiro, há vários anos, fui lá fazer um trabalho com o avô do António, actual proprietário. O lagar estava a funcionar mas ao Sr. António já lhe faltavam as forças
- Vamos a ver se o meu neto quer depois pegar nisto
O neto António já perdeu o avô e a avó espanhola, que tinha uma loja de atoalhados/mercearia/venda de café mesmo em frente ao lagar. Duas pessoas importantes nesta comunidade de fronteira cujo legado, o António assumiu.
Nos dias que correm, mais importante de que montar um serviço, é também mostrar que se sabe fazer, que se produz algo. O Azeite Castelo de Marvão é o azeite que o António herdou e agora partilha com todos.
Uma excelente forma para quem nos visita, de conhecer uma das artes mais antigas do Alentejo, a dos lagareiros, e um dos nossos produtos mais nobres, o nosso ouro.
Um museu onde se trabalha, uma marca moderna
Vale a pena a visita, palavra de merceeira smile emoticon
http://mpn.pt/

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Feliz dia do Empresário de Marvão (ou quase, vá)



 Hoje comemora-se o Dia do Empresário de Marvão. O programa, a decorrer no Ninho de Empresas de Santo António das Areias é interessante e variado e tem muitas apresentações que eu tenho pena de perder.
Mas hoje é um dia de semana em que a maioria dos empresários está a fazer o quê? A trabalhar! E portanto, sendo uma micro empresária não posso simplesmente fechar a porta para ir comemorar este "meu" dia.
Colocar o meu entre parêntises não foi aleatório. Se de facto eu sou uma empresária de Marvão, desde 2011, a verdade é que dificilmente alguma vez me sentirei confortável neste contexto,isto enquanto o poder local lidar com os empresários (vá, não quero ser injusta, como o poder local lida comigo!!!) como tem sido até aqui.

É que comemorar uma data com um programa interessante é algo muito válido e necessário, mas naturalmente, mais importante do que isso, é ajudar os empresários naquilo que são as atribuições do poder local, dando-lhes as ferramentas necessárias para que os seus negócios prosperem, criem riqueza e emprego, sejam o reflexo da vida económica do concelho.
E é aqui, meus senhores, que tudo se complica.
Apoiar, incentivar, promover.
Não é favorecer, subsidiar, ignorar
Não, o necessário é mesmo apoiar, incentivar, promover.
E de preferência todos!

E é por isto mesmo que eu escolhi este dia para falar de um assunto, para mim, importante. Em 1 de Julho de 2013, um mês e meio depois de ter aberto a Estalagem de Marvão, enviei ao Sr Presidente da Câmara um pedido de inclusão da Estalagem na sinalética urbana da Vila.
Não sei quantos meses depois fui informada que "como o processo da sinalética se encontra encerrado,com a última revisão, foi decidido informalmente que todos os pedidos posteriores

à referida revisão terão de ser submetidos à aprovação da Câmara Municipal, como

o presente e depois das devidas autorizações as despesas da sua colocação serão da responsabilidade dos requerentes. Tratando-se  de  um  processo  dinâmico,  o  município  considera  que  deveria contribuir  com  a  base  do  processo,  sendo  a  sua  continuidade  ou  os  seus acréscimos da responsabilidade dos interessados em termos financeiro" 

Entendi e aceitei esta posição, se a revisão da sinalética urbana era um projecto encerrado * deveria ser eu, a interessada, a custear uma alteração. Isto porque a sinalética é algo dinâmico, com o tempo surgem novas necessidades e outras que se desactualizam.
Tendo aceite esta posição da Câmara, informei quem de direito e aguardei instruções. Porque o tempo foi passando, sugeri numerosas vezes placas provisórias que minorassem o meu prejuízo. As minhas sugestões nunca foram aceites, a conclusão desta comunicação tardou.

Eu acredito que seja difícil, para quem é funcionário público, compreender a pressa que um empresário tem em resolver "pequenas" questões como estas. O salário está lá ao fim do mês, para quem trabalha muito e para quem trabalha pouco. Está lá.
Para um empresário por conta própria não está. Não é fácil fazer um negócio resultar no nosso contexto territorial e num eterno cenário de crise. Não é mesmo.
É por isso que questões como estas, aparentemente simples, não deviam tardar, não deviam ser tão complicadas
Para que nos serve a proximidade se tudo é gerido em modo "quintinhas" de senhores feudais?

E com tudo isto, e até eu conseguir que a mesma empresa que instalou as placas o fizesse para mim (a expensas minhas, claro) passou quanto tempo? Quase dois anos.
As placas que referem e sinalizam a Estalagem de Marvão na vila foram instaladas este mês de Maio de 2015. Praticamente dois anos depois.

Isto é apoiar, incentivar, promover?
Não é, está mesmo muito longe disso.
O tempo que se perde, a burocracia, as indecisões é algo que não favorece a vida empresarial.
Se eu acho que estas situações se passam só comigo ou que são só deste concelho? Infelizmente não, de modo algum. Falam-me amigos e conhecidos de casos tão ou mais graves do que o meu.
Como se resolvem? Com paciência, com muita paciência por parte dos interessados. E com algum recalcamento e silêncio também, porque falar mal do poder local numa terra como esta é perigoso, é contraproducente, é um verdadeiro tiro no pé.
E será sempre assim ,enquanto se considerar o trabalho público como um favor que se presta a alguns.Não devia ser assim, o trabalho público é um trabalho bem remunerado, algo necessário e que se presta a TODA uma comunidade.

As placas que eu paguei já lá estão. Quando os meus clientes entram na vila ficam informados onde se devem dirigir. A factura que eu devia à empresa está saldada.
Dois anos depois. Para duas placas.
Dia do Empresário de Marvão? 
 Pode ser que daqui a uns anos sinta este dia como meu. Ou não.


* A Mercearia de Marvão, por ser um projecto temporalmente de execução anterior, foi contemplada na nova sinalética, muito pelo empenho do técnico municipal Nuno Lopes e a ajuda do colega empresário Jorge Rosado.