sexta-feira, 15 de maio de 2015

Feliz dia do Empresário de Marvão (ou quase, vá)



 Hoje comemora-se o Dia do Empresário de Marvão. O programa, a decorrer no Ninho de Empresas de Santo António das Areias é interessante e variado e tem muitas apresentações que eu tenho pena de perder.
Mas hoje é um dia de semana em que a maioria dos empresários está a fazer o quê? A trabalhar! E portanto, sendo uma micro empresária não posso simplesmente fechar a porta para ir comemorar este "meu" dia.
Colocar o meu entre parêntises não foi aleatório. Se de facto eu sou uma empresária de Marvão, desde 2011, a verdade é que dificilmente alguma vez me sentirei confortável neste contexto,isto enquanto o poder local lidar com os empresários (vá, não quero ser injusta, como o poder local lida comigo!!!) como tem sido até aqui.

É que comemorar uma data com um programa interessante é algo muito válido e necessário, mas naturalmente, mais importante do que isso, é ajudar os empresários naquilo que são as atribuições do poder local, dando-lhes as ferramentas necessárias para que os seus negócios prosperem, criem riqueza e emprego, sejam o reflexo da vida económica do concelho.
E é aqui, meus senhores, que tudo se complica.
Apoiar, incentivar, promover.
Não é favorecer, subsidiar, ignorar
Não, o necessário é mesmo apoiar, incentivar, promover.
E de preferência todos!

E é por isto mesmo que eu escolhi este dia para falar de um assunto, para mim, importante. Em 1 de Julho de 2013, um mês e meio depois de ter aberto a Estalagem de Marvão, enviei ao Sr Presidente da Câmara um pedido de inclusão da Estalagem na sinalética urbana da Vila.
Não sei quantos meses depois fui informada que "como o processo da sinalética se encontra encerrado,com a última revisão, foi decidido informalmente que todos os pedidos posteriores

à referida revisão terão de ser submetidos à aprovação da Câmara Municipal, como

o presente e depois das devidas autorizações as despesas da sua colocação serão da responsabilidade dos requerentes. Tratando-se  de  um  processo  dinâmico,  o  município  considera  que  deveria contribuir  com  a  base  do  processo,  sendo  a  sua  continuidade  ou  os  seus acréscimos da responsabilidade dos interessados em termos financeiro" 

Entendi e aceitei esta posição, se a revisão da sinalética urbana era um projecto encerrado * deveria ser eu, a interessada, a custear uma alteração. Isto porque a sinalética é algo dinâmico, com o tempo surgem novas necessidades e outras que se desactualizam.
Tendo aceite esta posição da Câmara, informei quem de direito e aguardei instruções. Porque o tempo foi passando, sugeri numerosas vezes placas provisórias que minorassem o meu prejuízo. As minhas sugestões nunca foram aceites, a conclusão desta comunicação tardou.

Eu acredito que seja difícil, para quem é funcionário público, compreender a pressa que um empresário tem em resolver "pequenas" questões como estas. O salário está lá ao fim do mês, para quem trabalha muito e para quem trabalha pouco. Está lá.
Para um empresário por conta própria não está. Não é fácil fazer um negócio resultar no nosso contexto territorial e num eterno cenário de crise. Não é mesmo.
É por isso que questões como estas, aparentemente simples, não deviam tardar, não deviam ser tão complicadas
Para que nos serve a proximidade se tudo é gerido em modo "quintinhas" de senhores feudais?

E com tudo isto, e até eu conseguir que a mesma empresa que instalou as placas o fizesse para mim (a expensas minhas, claro) passou quanto tempo? Quase dois anos.
As placas que referem e sinalizam a Estalagem de Marvão na vila foram instaladas este mês de Maio de 2015. Praticamente dois anos depois.

Isto é apoiar, incentivar, promover?
Não é, está mesmo muito longe disso.
O tempo que se perde, a burocracia, as indecisões é algo que não favorece a vida empresarial.
Se eu acho que estas situações se passam só comigo ou que são só deste concelho? Infelizmente não, de modo algum. Falam-me amigos e conhecidos de casos tão ou mais graves do que o meu.
Como se resolvem? Com paciência, com muita paciência por parte dos interessados. E com algum recalcamento e silêncio também, porque falar mal do poder local numa terra como esta é perigoso, é contraproducente, é um verdadeiro tiro no pé.
E será sempre assim ,enquanto se considerar o trabalho público como um favor que se presta a alguns.Não devia ser assim, o trabalho público é um trabalho bem remunerado, algo necessário e que se presta a TODA uma comunidade.

As placas que eu paguei já lá estão. Quando os meus clientes entram na vila ficam informados onde se devem dirigir. A factura que eu devia à empresa está saldada.
Dois anos depois. Para duas placas.
Dia do Empresário de Marvão? 
 Pode ser que daqui a uns anos sinta este dia como meu. Ou não.


* A Mercearia de Marvão, por ser um projecto temporalmente de execução anterior, foi contemplada na nova sinalética, muito pelo empenho do técnico municipal Nuno Lopes e a ajuda do colega empresário Jorge Rosado.

terça-feira, 21 de abril de 2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Os motards em Marvão

Juro que hesitei muito antes de escrever este texto
Quem tem uma página com mais de 8000 likes e um negócio com porta aberta não pode simplesmente dizer tudo o que lhe vem à cabeça. Porque esta página/blog não é a minha pessoal, é a do meu meio de subsistência e por isso por vezes é preciso meter travão
Porque há sempre quem não goste, quem não concorde, quem generalize e faça extrapolações erradas
Mas caramba, se não é para desabafar e comunicar, afinal estes meios servirão para quê?

Aquilo que eu quero falar são os motards. Pessoas que que têm esse hobbie, gostam de passear, e muitas vezes visitam Marvão em grupo. Quase todas as semanas. Portugueses e espanhóis.
Eu sempre conheci os motards como pessoas cumpridoras das regras de trânsito. Que gostam de se divertir, sim, mas cumpridoras, correctas, que dão o exemplo. Em todo o lado.

Mas então, porque é que em Marvão, não????
Porque é que (ainda este ultimo fim de semana) passaram, em grupo, três sinais de proibição ignorando completamente todos eles, só com o objectivo de subir a rua principal que chega ao castelo?
É que senhores motards, essa rua, a Rua do Castelo, só se desce...
Conquistem lá a fortaleza com os vossos motores ruidosos e os vossos casacos de cabedal!
Mas façam-na pela rua certa! Contornando a muralha desde que entram às Portas de Ródão!

É que este problema, acontece fim de semana sim, fim de semana sim...constantemente, repetidamente...
E é errado, é perigoso, não pode ser.
Porque Marvão tem muita gente que circula a pé, tem um trânsito muito complicado dadas as características da vila.

Dá-se o acaso de no mesmo momento em que eu começava a escrever este texto, entrou na loja um meu antigo colega, ligado ao grupo motard local. E comentei com ele este facto.
E ele disse e bem...se eles nos contactassem previamente, nós acompanharíamos a visita e evitávamos essas situações (que ele confirmou acontecerem demasiadas vezes).
E vai daí dizem-me os mais críticos, e a GNR, onde anda?
E eu respondo, em patrulha na vila, muitas vezes, mas não permanentemente. Porque o concelho é grande e o posto fica fora de muralhas, E muitas vezes, os motards chegam, tiram uma foto no castelo e seguem viagem de forma rápida...
Por isso senhores motards, venham sempre que queiram, gostamos muito de vos ter cá, mas à entrada da vila, lembrem-se de abrandar...e de reparar nos sinais!




sábado, 18 de abril de 2015

Um dos nossos

A passagem de uma ambulância dos Bombeiros de Castelo de Vide causa sobressalto, na manhã de sábado, à hora em que as senhoras vêem buscar o pão.
Quem seria, quem não seria.
- É problema cardíaco, diz a Dona. I, porque a ambulância vai devagarinho
Quem seria, quem não seria.
Pensa-se nos marvanenses que têm estado adoentados e levanta-me as hipóteses mais lógicas
Esclarece a G. que passeara o cão àquela hora, que tinha sido um cliente da pousada, daí ter feito a volta da rua 24 de Janeiro, mais complicada em termos de trânsito para carros grandes.
Comenta a Dona F. pouco depois aqui na Mercearia
- Não desejando mal algum, ainda bem que não foi um dos nossos, que somos tão poucos...
E ainda assim, não querendo sofrimento alheio, a comunidade, respira de alívio.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Festival do Chocolate em Óbidos: mas que grande miséria


Gosto muito de ir a Óbidos. É uma terra com que simpatizo
Imensas vezes comparam Marvão a Óbidos e isso poderia ter gerado antipatia, mas não é o caso. Talvez se deva a uma certa solidariedade de quem compreende o que é viver numa terra especial. Uma terra onde há pouco estacionamento, onde a DGPC e a Câmara regulam tudo e mais alguma coisa, onde sentimos que vivemos dentro de um museu.
E Óbidos tem de facto semelhanças com Marvão e vice versa. É o casario dentro de muralhas, é o castelo imponente, é a ausência de asneiras arquitéctónicas e a falta de habitantes permanentes,
 Mas também tem inúmeras diferenças.
Marvão tem a imponência do rochedo, a altitude, o clima agreste, a tranquilidade,
Óbidos tem a suavidade das flores por todo o lado, tem a situação geográfica e a auto estrada mesmo à porta, e tem muito mais vida.
Ontem estivemos em Óbidos em família, no dia em que começou mais um Festival do Chocolate.
O burburinho na rua Direita era tal que comentei com o marido: Isto mais parece um centro comercial medieval.
E é mesmo isso: Uma rua ocupada com lojas porta sim porta sim. Umas feitas com muita qualidade, outras nem por isso. Uma marca bem definida com produtos chave (ginja, chocolate) É o que Óbidos tem e Marvão também devia ter.

Quando há uns anos ouvi o então Presidente da Câmara Telmo Faria fiquei com inveja porque ele veio cá falar nisso mesmo: A construção da marca, do nome, dos eventos, Alguém que sabia o que queria e conseguiu concretizar. Porque Óbidos vende, e vende muito. E isso requer visão, estratégia, investimento.

Estivemos num exemplo fantástico de bom comércio tradicional: A livraria de Santiago (sim, numa Igreja) e no Alfarrabista/Mercado Biológico do antigo Refeitório da Câmara. Dois espaços que ajudaram na conquista de mais um título para Óbidos. O de vila Literário. Fantástico mesmo!
E outros há, de pastelaria, lojas gourmet e artesanato.
A restauranção...bem, posso ter tido azar das vezes que já estive, mas a sensação que tenho é que é muito básica em termos de qualidade, e extremamente cara.

Mas agora o Festival do Chocolate...perdoem-me os mais sensíveis...mas que grande miséria!
Uma boa organização, calejada com anos e anos de multidões, mas com um conteúdo, do mais pobre que já vi.
Um bilhete caro e pouquíssimos pontos de interesse relacionados com o tema. Aliás, como era o primeiro dia ainda haviam espaços por abrir (tão, tão à portuguesa...). Não se pode cobrar quando não se tem para oferecer...
Uma animação de rua quase inexistente, um castelo vazio (minto, com as estruturas da Feira Medieval/Vila Natal) e quando nos dirigimos ao único espaço próprio para crianças...adivinhem...pedem-nos ainda mais dinheiro!
Por isso minha gente, o meu conselho é que não vão. Não vale a pena, o evento não merece a visita.
As crianças vão com a ideia do chocolate e ficam desiludidas...
Eu acredito que em final de semana haja mais programação, mas em fim de semana também terão mais multidões. Portanto o saldo é sempre mau.
Vale muito a pena ir a Óbidos. Tem recantos de sonho e uma atmosfera única. Há muita coisa boa em Óbidos, muita mesmo. Mas o Festival do Chocolate é uma grande desilusão.