Enviar as boas festas da forma tradicional?
É com o postal da Mercearia!
Produção da HSF, foto da Merceeira do nevão do ano passado e ideia de Nuno Fonseca.
Disponíveis a partir de dia 11
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
"Ser um empreendedor é executar os sonhos, mesmo que haja riscos. É enfrentar os problemas, mesmo não tendo forças. É caminhar por lugares desconhecidos, mesmo sem bússola. É tomar atitudes que ninguém tomou. É ter consciência de que quem vence sem obstáculos triunfa sem glória. É não esperar uma herança, mas construir uma história...
Quantos projetos você deixou para trás?
Quantas vezes seus temores bloquearam seus sonhos?
Ser um empreendedor não é esperar a felicidade acontecer, mas conquistá-la."
Augusto Cury
Quantos projetos você deixou para trás?
Quantas vezes seus temores bloquearam seus sonhos?
Ser um empreendedor não é esperar a felicidade acontecer, mas conquistá-la."
Augusto Cury
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
A máquina de furos da Regina
Imediatamente escrevi um email para a Regina e prontamente me ligaram de volta fazendo uma conversa que parte me desiludiu: Só tinham uma edição especial de 30 caixas em Madeira que iriam para lojas selecionadas como a Vida Portuguesa da Catarina Portas ou a Favorita do Bolhão no Porto.
Contestei falando no meu projecto e que faria sentido também distribuir algumas pelo interior do país...percebi que era em vão e fiquei com a promessa que na próxima edição, já em caixas de cartão, talvez fosse possível receber.
Lembrei-me desta situação porque esta manhã li um post da lindíssima e antiquíssima Loja do Sr. Falcão, em Miranda do Corvo, cujos simpáticos donos já passaram minha humilde Mercearia.
Na loja do Sr. Falcão, FUNDADA EM 1878, SENHORES, obtiveram a mesma resposta do que eu da Regina. Pois é, porque está em Miranda do Corvo...
Lojas como a Vida Portuguesa ou a Favorita do Bolhão eu acho lindas e muito meritórias, mas há muitas mais espalhadas pelo país. Aqui como em tudo é uma questão de escala, não lhes interessa só a loja em si e o que ela significa mas também o sítio em que está implantada por em teoria dar mais visibilidade ao produto, é injusto mas é mais da mesma história de sempre dos grandes e pequenos centros.
Na interioridade, perdemos muito...na interioridade andamos SEMPRE, a lutar...
Como escrevi acima, disseram-me ainda por telefone, que num futuro próximo fariam máquinas de furo, mas de cartão...vamos a ver se nos calha alguma dessas mais fraquitas então...e se calhar ainda temos que lhes agradecer o favor...
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Uma questão de educação...
Uma das áreas em que eu senti sempre com mais intensidade o preço a pagar pela interioridade foi a educação.
No presente ano assistimos a algo que parecia estar em retrocesso mas que agora volta a ser uma realidade banal: a junção de vários anos de escolaridade na mesma sala, com o mesmo professor.
Porque são os números que contam, não o processo educativo ou a aprendizagem das crianças. Juntam-se crianças para poupar nas turmas, por consequência nos salários a pagar aos professores.
Por todo o lado é assim, claro que nas terras onde as crianças vão escasseando cada vez mais o problema é muito mais agudo.
Hoje foi o dia de deixar a minha filha mais velha na "escolinha dos grandes" pela primeira vez.
Um dia feliz, um dia de conquista e mentalização que o tempo passa depressa e ela já é uma menina crescida, mas ainda assim, a minha menina, o meu primeiro bebé.
Ficou na escola que já conhecia, com uma professora que eu muito estimo. Parecia tudo perfeito, não é?
Longe disso.
No primeiro ciclo da escola da minha filha só há duas turmas. A que junta o primeiro e quarto ano e a que junta o segundo e terceiro ano. Assim mesmo. Se faz sentido? Obviamente que não. Alunos que entram na escola pela primeira vez juntos com alunos que no final do ano lectivo farão exames nacionais...mas lá está, as crianças não interessam aqui, interessam os números.
Um desafio imenso de desmultiplicação para a professore, uma profissional empenhada, que sei que é, mas não faz milagres ainda...Até porque aos professores hoje em dia já só falta exigirem isso mesmo, milagres...
O absurdo na escola sede do agrupamento ainda é maior. Com três turmas de primeiro ciclo mas novamente pelos números, divide-se os poucos alunos do primeiro ano para os juntar ao 2ª e 3ª ano respectivamente...Economizando nas turmas, poupando dinheiro ao ministério...
E ficamos por aqui? Não mesmo!
Ontem apercebi-me de uma realidade ainda mais estranha, houve dois professores de primeiro ciclo que foram recolocados no agrupamento (não sei se é assim o termo), não tinham portanto turma destinada mas pertencem aqui.
Estes dois professores vinham então, pela lógica, resolver o problema na escola sede,completando a turma em falta e minorando a questão na outra escola. Mas não, o ministério não autorizou...pela questão dos números presumo, e então estes dois professores ficam noa grupamento, sem turma, a dar apoio às existentes...
A associação de pais batalhou e por isso está de consciência tranquila. Foi de Marvão a Évora reunir com a Direcção Regional de Educação do Alentejo. Não entrou pela questão dos números que não valia a pena, tentou batalhar pelas areis movediças do apoio educativo a crianças com necessidades educativas especiais. Batalhou com as armas que tinha, veio derrotada, mas foi à luta.
Da autarquia não ouvi nada. Se tentou alguma coisa não me apercebi, sinceramente. Mas faz sentido, as eleições não se ganham nas escolas, longe disso, ganham-se no extremo oposto aliás, nas festas dos velhinhos que se adiantam para se distribuírem aos ditos uns beijinhos e umas pancadinhas nas costas.
Das crianças nada. Eterniza-se a questão da junção das duas escolas ,que eu particularmente defendo (pois antes uma escola boa e completa do que duas assim-assim) por puro populismo e bairrismo, não querendo desagradar ao lado norte da montanha concelhia, e não aproveitando as obras de melhoramento que poderiam daí vir. Até que a junção das escolas se dê por decisão superior, com obras ou sem elas, porque vai acontecer inevitavelmente, mas já havendo um culpado. Foi de cima, dirá o sr. Presidente da Câmara, a culpa não foi minha, que é uma posição que ele tanto gosta e tanto lhe convém.
E eu penso nesta pirâmide de responsabilidades onde insiro a autarquia, a direcção da escola, a direcção regional do Alentejo e o Ministério da Educação e pergunto-me se dormirão tranquilos de noite sabendo que estão longe de proporcionar às crianças de Marvão (e a tantas outras) as melhores condições de aprendizagem possível. Porque no meu íntimo, não consigo conceber que as crianças mereçam menos que o melhor.
No presente ano assistimos a algo que parecia estar em retrocesso mas que agora volta a ser uma realidade banal: a junção de vários anos de escolaridade na mesma sala, com o mesmo professor.
Porque são os números que contam, não o processo educativo ou a aprendizagem das crianças. Juntam-se crianças para poupar nas turmas, por consequência nos salários a pagar aos professores.
Por todo o lado é assim, claro que nas terras onde as crianças vão escasseando cada vez mais o problema é muito mais agudo.
Hoje foi o dia de deixar a minha filha mais velha na "escolinha dos grandes" pela primeira vez.
Um dia feliz, um dia de conquista e mentalização que o tempo passa depressa e ela já é uma menina crescida, mas ainda assim, a minha menina, o meu primeiro bebé.
Ficou na escola que já conhecia, com uma professora que eu muito estimo. Parecia tudo perfeito, não é?
Longe disso.
No primeiro ciclo da escola da minha filha só há duas turmas. A que junta o primeiro e quarto ano e a que junta o segundo e terceiro ano. Assim mesmo. Se faz sentido? Obviamente que não. Alunos que entram na escola pela primeira vez juntos com alunos que no final do ano lectivo farão exames nacionais...mas lá está, as crianças não interessam aqui, interessam os números.
Um desafio imenso de desmultiplicação para a professore, uma profissional empenhada, que sei que é, mas não faz milagres ainda...Até porque aos professores hoje em dia já só falta exigirem isso mesmo, milagres...
O absurdo na escola sede do agrupamento ainda é maior. Com três turmas de primeiro ciclo mas novamente pelos números, divide-se os poucos alunos do primeiro ano para os juntar ao 2ª e 3ª ano respectivamente...Economizando nas turmas, poupando dinheiro ao ministério...
E ficamos por aqui? Não mesmo!
Ontem apercebi-me de uma realidade ainda mais estranha, houve dois professores de primeiro ciclo que foram recolocados no agrupamento (não sei se é assim o termo), não tinham portanto turma destinada mas pertencem aqui.
Estes dois professores vinham então, pela lógica, resolver o problema na escola sede,completando a turma em falta e minorando a questão na outra escola. Mas não, o ministério não autorizou...pela questão dos números presumo, e então estes dois professores ficam noa grupamento, sem turma, a dar apoio às existentes...
A associação de pais batalhou e por isso está de consciência tranquila. Foi de Marvão a Évora reunir com a Direcção Regional de Educação do Alentejo. Não entrou pela questão dos números que não valia a pena, tentou batalhar pelas areis movediças do apoio educativo a crianças com necessidades educativas especiais. Batalhou com as armas que tinha, veio derrotada, mas foi à luta.
Da autarquia não ouvi nada. Se tentou alguma coisa não me apercebi, sinceramente. Mas faz sentido, as eleições não se ganham nas escolas, longe disso, ganham-se no extremo oposto aliás, nas festas dos velhinhos que se adiantam para se distribuírem aos ditos uns beijinhos e umas pancadinhas nas costas.
Das crianças nada. Eterniza-se a questão da junção das duas escolas ,que eu particularmente defendo (pois antes uma escola boa e completa do que duas assim-assim) por puro populismo e bairrismo, não querendo desagradar ao lado norte da montanha concelhia, e não aproveitando as obras de melhoramento que poderiam daí vir. Até que a junção das escolas se dê por decisão superior, com obras ou sem elas, porque vai acontecer inevitavelmente, mas já havendo um culpado. Foi de cima, dirá o sr. Presidente da Câmara, a culpa não foi minha, que é uma posição que ele tanto gosta e tanto lhe convém.
E eu penso nesta pirâmide de responsabilidades onde insiro a autarquia, a direcção da escola, a direcção regional do Alentejo e o Ministério da Educação e pergunto-me se dormirão tranquilos de noite sabendo que estão longe de proporcionar às crianças de Marvão (e a tantas outras) as melhores condições de aprendizagem possível. Porque no meu íntimo, não consigo conceber que as crianças mereçam menos que o melhor.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
A casa, que é deles
Hoje de manhã conversava com uns clientes simpáticos que estranhavam o facto de a nossa família ter tomado a opção de viver em Marvão, apesar das dificuldades, da desertificação , da falta de serviços e de emprego. Diziam-me que era arriscado, só por si mesmo, hoje em dia, pôr três filhos no mundo, quanto mais numa terra sem hospital, ou escola, ou farmácia todos os dias...
Expliquei-lhes que tinham razão mas que na balança para mim pesavam mais, muitas outras coisas. Umas palpáveis, outras nem por isso. Que qualidade de vida, para mim, rima com esta vila no topo de uma montanha.
Hoje que o N. regressou ao trabalho e me pesam nos ombros (e nas pernas) as dificuldades de gerir este edifício sozinha, pois as escadas são muitas e a barriga cada vez mais pesada...estas palavras soam baixinho, e penso nelas e no seu sentido.
Todos temos dúvidas, tantas e tantas vezes...
Mas reparei nesta foto que o N. tirou ontem antes da procissão passar. Esta casa que há dois anos era uma ruína e que se tornou num sonho. São dois anos e parece uma vida...
Reparo nestes meninos loiros de sorriso rasgado, sentados no degrau desta casa, desta loja. Crescem aqui, criam as suas memórias aqui. Esta casa é deles e fez-se assim bonita, por eles.
E sigo assim mesmo, com dúvidas, por vezes muito cansada, mas sempre cheia de esperança!
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Com as autárquicas à porta...
O Nuno costuma dizer muitas vezes que " para que o mal triunfe, basta que os bons não se importem"
E esta frase serve bem para introduzir este post sobre a política local e as eleições que estão próximas.
Claro que é uma frase exagerada, não há "mal" nem deixa de haver, a mensagem que eu quero fazer passar é que não há nada mais conveniente ao poder instalado do que o silêncio das pessoas que têm opiniões. Sobre seja o que for.
Ora a minha opinião sobre a política local está longe de ser "desapaixonada" (calma, eu sei que a palavra não existe), mas é com toda a certeza desinteressada. Seja quem for que ganhe no dia 29 de Setembro, eu não fico melhor nem pior,com toda a certeza não vou ganhar nem perder grande coisa, e sabe quem me conhece pessoalmente, quão foi difícil e penoso, pelo meu percurso profissional, ganhar esta liberdade de expressão. Sabendo à partida que, desta vez, não me vão pesar nos ombros as vitórias e as derrotas, isso não significa que irei ficar calada quando o assunto é importante e nos toca a todos.
E por isso cá vai, escrito e assinado:
O poder instalado tem obra feita, É inegável dize-lo. Deixou a sua marca em oito anos no poder. Fez um ninho de empresas, fez uma mini zona industrial, requalificou-se a Zona da piscina fluvial da Portagem, fez e melhorou acessos rodoviários, comprou terrenos (aqui não sei bem para quê, mas enfim). Teve a belíssima iniciativa de ceder um terreno para a APPACDM construir um lar, criando uma estrutura que vai gerar emprego e dinamismo, salvou o Infantário de fechar. Destaco estes feitos mas há mais, nunca ninguém me ouvirá dizer o contrário, até porque está à vista de todos. A situação financeira do município é boa (herança que vem de vários presidentes atrás) e o serviço da dívida não é extenso. Mas senhores, qualquer gestor sabe que esses números dependem daquilo que se investe, certo? E não me venham cá falar de estudos à qualidade de vida e outros que tais, o concelho tem cada vez menos serviços, está cada vez mais desertificado e nascem cada vez menos crianças. É essa a realidade dos números, é isso que interessa, porque os estudos, esses, como tudo, servem interesses, relatam aquilo que interessa relatar.
Na gestão municipal local, honra lhes seja feita, salvam-se as Juntas de Freguesia. Todas as quatro, não distinguindo nenhuma e portanto nenhum partido. Pelo seu serviço de proximidade ao cidadão, pela acção contida e equilibrada, à medida dos seus poderes e do seu orçamento. Porque será que o serviço público é tão mais sem vícios nas freguesias? Terá a ver com salários meramente simbólicos? Cada um que diga o que pensa...
É que ter obra feita, para mim, está longe de ser tudo... Eu acho que o factor de desenvolvimento (e de sobrevivência) do concelho de Marvão é o Turismo. Claro que todos os outros sectores são importantíssimos e respeito quem considere que a agricultura ou a indústria sejam decisivos, mas na minha opinião, é no Turismo que Marvão se pode diferenciar e progredir. É por isso mesmo que considero que este executivo nesta área falhou redondamente, aliás, atrevo-me a dizer que teve uma acção MEDÍOCRE!
No Turismo, andou para trás e para diante em manobras com a Candidatura de Marvão a Património Mundial, desconhecendo claramente o processo, desrespeitando o tanto que já estava feito, perdendo a corrida em toda a linha para terras tão próximas e ainda mantendo teimosamente essa bandeira sem saber claramente o que tem em mãos. Mau, muito mau. No mês de Setembro a Candidatura é apresentada pela enésima vez....Eu no programa colocaria antes RE-re-re-re-re apresentação da Candidatura de Marvão a Património Mundial...Claro, no mês de Setembro, porque é conveniente...mas se ainda existisse em alguém a esperança que "desta é que era" mas enfim, digo e repito que o mais triste de tudo é o desconhecimento por completo do que o processo significa, para onde se vai, como se faz...
E a alienação do nosso maior monumento (intervencionado aliás, com gosto duvidoso) para as mãos de una associação? Enfim...já aqui tive oportunidade de escrever sobre o assunto...
Começaram-se as obras no Museu Municipal, tão necessárias, mas deixámos escapar verão por entre os dedos. São as obras no nosso Portugal, pois sim, pois sim...
Os percursos pedestres, pelos quais já somos conhecidos mas era tão importante sinalizar, manter, mapear, dar a conhecer, divulgar. Onde estão? Porque não se investe, já que até se pode considerar um investimento reduzido?
Na Cultura (que eu associo bastante ao turismo) enfim, é deplorável...O nosso maior evento, a Feira da Castanha, continua imutável, sem dinamismo ou novidade alguma, como que a esperar que a glória do passado perdure e se mantenha, quando todos sabemos que não é assim. Criou-se a Almossassa mas mais uma vez nada se fez por ela, em vez de a fazer crescer enquanto evento novo que é, é vê-a marinar em lume brando e pouco empenhado. Perdeu-se a Feira do Artesanato e Gastronomia. Esgotou-se o modelo? Está bem, está, digam isso ao Crato, por exemplo,que teve este ano mais de 50 mil visitantes, abandonou-se o modelo, que é mais fácil... Faz-se uma Boda Régia? Sim, porque os vizinhos espanhois querem. Faz-se um Festival de Juventude? Faz, porque as associações de jovens querem. Para o ano não se sabe, logo se vê Multiplicam-se, para salvar o quadro, as Semanas Gastronómicas, requerendo pouco trabalho e transferindo a acção/lucro para os restaurantes... E muitos aspectos de graves falhas e deficiências no departamento cultural se poderiam destacar ,porque eu sei que a cultura não são só as festas mas aí confesso, é mesmo por tristeza pessoal profunda, aliás, é por revolta, que nem toco no assunto.
Depois está algo tão à vista de todos como a obra feita: a ausência do trabalho em equipa. Um líder que na maior parte das vezes nem faz nem deixa fazer, que aparece nos cartazes sozinho, que exclui quem não pensa de forma igual como se de leprosos se tratassem. Que dá ouvidos a boatos e a "diz que disse" e que não olha nos olhos as pessoas com quem fala. Que líder é este? É o líder que merece quem lhe deu o voto, e não foram poucos...
Eu sei que tinha muito mais a ganhar em estar caladinha.O que digo não interessa a muitos nem influencia nada. É um facto. Eu sei que tenho uma porta aberta e devia ser mais cautelosa. Eu sei bem o que é viver numa terra pequena e como é difícil estar do lado errado.
Mas tenho consciência. Penso. E até ao dia de hoje, não precisei de arranjar desculpas para ficar calada...
A questão é que, digo e volto a dizer, eu de momento não tenho lado. Cresci com os meus próprios erros, desiludi-me com a política em geral. Com este texto, eu não venho apelar ao voto em A,B ou C, porque sinceramente, eu não sei se outros no mesmo lugar seriam melhores, mais justos, mais equilibrados...
Mas o sangue ferve-me quando vejo o Dia do Empresário que normalmente era comemorado em Maio passar para o início de Setembro. Fico espantada ao ver anunciado para Setembro também, what else, o leilão de terrenos que estiverem vários anos parados...Enervo-me quando vejo chegar o cartaz da Festa do Idoso com data de 15 de Setembro quando há uma data mundial para essa efeméride que é 1 de Outubro...
Eu queria governantes que trabalhassem para TODOS os seus munícipes sem exceção, e não em proveito próprio ou dos seus apaniguados. Eu queria não ter sido afastada do meu interior emprego por "falta de verbas" mas ver entrar para o quadro pessoas que lá estavam há menos tempo mas pertenciam ao círculo certo (como o actual vice-presidente, só para dar um exemplo). Eu queria ter assumido o concurso público que concluí em primeiro lugar, mas em vez disso anularam-no só porque fui eu que o ganhei. Eu queria tanta coisa.
Queria principalmente ter esperança que tomei a decisão certa ao ficar.
Que acertei quando escolhi esta terra para os meus filhos nascerem.
Queria sentir-me menos sozinha no relacionamento, tão necessário, com o poder. É que ter a consciência tranquila, como eu sempre tive, ou a razão (se é que ela existe) do meu lado, não chega...
Mas tudo isto, na minha terra e no meu país é impossível. É mesmo impossível...
O poder instalado tem obra feita, É inegável dize-lo. Deixou a sua marca em oito anos no poder. Fez um ninho de empresas, fez uma mini zona industrial, requalificou-se a Zona da piscina fluvial da Portagem, fez e melhorou acessos rodoviários, comprou terrenos (aqui não sei bem para quê, mas enfim). Teve a belíssima iniciativa de ceder um terreno para a APPACDM construir um lar, criando uma estrutura que vai gerar emprego e dinamismo, salvou o Infantário de fechar. Destaco estes feitos mas há mais, nunca ninguém me ouvirá dizer o contrário, até porque está à vista de todos. A situação financeira do município é boa (herança que vem de vários presidentes atrás) e o serviço da dívida não é extenso. Mas senhores, qualquer gestor sabe que esses números dependem daquilo que se investe, certo? E não me venham cá falar de estudos à qualidade de vida e outros que tais, o concelho tem cada vez menos serviços, está cada vez mais desertificado e nascem cada vez menos crianças. É essa a realidade dos números, é isso que interessa, porque os estudos, esses, como tudo, servem interesses, relatam aquilo que interessa relatar.
Na gestão municipal local, honra lhes seja feita, salvam-se as Juntas de Freguesia. Todas as quatro, não distinguindo nenhuma e portanto nenhum partido. Pelo seu serviço de proximidade ao cidadão, pela acção contida e equilibrada, à medida dos seus poderes e do seu orçamento. Porque será que o serviço público é tão mais sem vícios nas freguesias? Terá a ver com salários meramente simbólicos? Cada um que diga o que pensa...
É que ter obra feita, para mim, está longe de ser tudo... Eu acho que o factor de desenvolvimento (e de sobrevivência) do concelho de Marvão é o Turismo. Claro que todos os outros sectores são importantíssimos e respeito quem considere que a agricultura ou a indústria sejam decisivos, mas na minha opinião, é no Turismo que Marvão se pode diferenciar e progredir. É por isso mesmo que considero que este executivo nesta área falhou redondamente, aliás, atrevo-me a dizer que teve uma acção MEDÍOCRE!
No Turismo, andou para trás e para diante em manobras com a Candidatura de Marvão a Património Mundial, desconhecendo claramente o processo, desrespeitando o tanto que já estava feito, perdendo a corrida em toda a linha para terras tão próximas e ainda mantendo teimosamente essa bandeira sem saber claramente o que tem em mãos. Mau, muito mau. No mês de Setembro a Candidatura é apresentada pela enésima vez....Eu no programa colocaria antes RE-re-re-re-re apresentação da Candidatura de Marvão a Património Mundial...Claro, no mês de Setembro, porque é conveniente...mas se ainda existisse em alguém a esperança que "desta é que era" mas enfim, digo e repito que o mais triste de tudo é o desconhecimento por completo do que o processo significa, para onde se vai, como se faz...
E a alienação do nosso maior monumento (intervencionado aliás, com gosto duvidoso) para as mãos de una associação? Enfim...já aqui tive oportunidade de escrever sobre o assunto...
Começaram-se as obras no Museu Municipal, tão necessárias, mas deixámos escapar verão por entre os dedos. São as obras no nosso Portugal, pois sim, pois sim...
Os percursos pedestres, pelos quais já somos conhecidos mas era tão importante sinalizar, manter, mapear, dar a conhecer, divulgar. Onde estão? Porque não se investe, já que até se pode considerar um investimento reduzido?
Na Cultura (que eu associo bastante ao turismo) enfim, é deplorável...O nosso maior evento, a Feira da Castanha, continua imutável, sem dinamismo ou novidade alguma, como que a esperar que a glória do passado perdure e se mantenha, quando todos sabemos que não é assim. Criou-se a Almossassa mas mais uma vez nada se fez por ela, em vez de a fazer crescer enquanto evento novo que é, é vê-a marinar em lume brando e pouco empenhado. Perdeu-se a Feira do Artesanato e Gastronomia. Esgotou-se o modelo? Está bem, está, digam isso ao Crato, por exemplo,que teve este ano mais de 50 mil visitantes, abandonou-se o modelo, que é mais fácil... Faz-se uma Boda Régia? Sim, porque os vizinhos espanhois querem. Faz-se um Festival de Juventude? Faz, porque as associações de jovens querem. Para o ano não se sabe, logo se vê Multiplicam-se, para salvar o quadro, as Semanas Gastronómicas, requerendo pouco trabalho e transferindo a acção/lucro para os restaurantes... E muitos aspectos de graves falhas e deficiências no departamento cultural se poderiam destacar ,porque eu sei que a cultura não são só as festas mas aí confesso, é mesmo por tristeza pessoal profunda, aliás, é por revolta, que nem toco no assunto.
Depois está algo tão à vista de todos como a obra feita: a ausência do trabalho em equipa. Um líder que na maior parte das vezes nem faz nem deixa fazer, que aparece nos cartazes sozinho, que exclui quem não pensa de forma igual como se de leprosos se tratassem. Que dá ouvidos a boatos e a "diz que disse" e que não olha nos olhos as pessoas com quem fala. Que líder é este? É o líder que merece quem lhe deu o voto, e não foram poucos...
Eu sei que tinha muito mais a ganhar em estar caladinha.O que digo não interessa a muitos nem influencia nada. É um facto. Eu sei que tenho uma porta aberta e devia ser mais cautelosa. Eu sei bem o que é viver numa terra pequena e como é difícil estar do lado errado.
Mas tenho consciência. Penso. E até ao dia de hoje, não precisei de arranjar desculpas para ficar calada...
A questão é que, digo e volto a dizer, eu de momento não tenho lado. Cresci com os meus próprios erros, desiludi-me com a política em geral. Com este texto, eu não venho apelar ao voto em A,B ou C, porque sinceramente, eu não sei se outros no mesmo lugar seriam melhores, mais justos, mais equilibrados...
Mas o sangue ferve-me quando vejo o Dia do Empresário que normalmente era comemorado em Maio passar para o início de Setembro. Fico espantada ao ver anunciado para Setembro também, what else, o leilão de terrenos que estiverem vários anos parados...Enervo-me quando vejo chegar o cartaz da Festa do Idoso com data de 15 de Setembro quando há uma data mundial para essa efeméride que é 1 de Outubro...
Eu queria governantes que trabalhassem para TODOS os seus munícipes sem exceção, e não em proveito próprio ou dos seus apaniguados. Eu queria não ter sido afastada do meu interior emprego por "falta de verbas" mas ver entrar para o quadro pessoas que lá estavam há menos tempo mas pertenciam ao círculo certo (como o actual vice-presidente, só para dar um exemplo). Eu queria ter assumido o concurso público que concluí em primeiro lugar, mas em vez disso anularam-no só porque fui eu que o ganhei. Eu queria tanta coisa.
Queria principalmente ter esperança que tomei a decisão certa ao ficar.
Que acertei quando escolhi esta terra para os meus filhos nascerem.
Queria sentir-me menos sozinha no relacionamento, tão necessário, com o poder. É que ter a consciência tranquila, como eu sempre tive, ou a razão (se é que ela existe) do meu lado, não chega...
Mas tudo isto, na minha terra e no meu país é impossível. É mesmo impossível...
Subscrever:
Mensagens (Atom)



