segunda-feira, 2 de abril de 2012

Uma terra que resiste...e que só é para quem resiste

Vem todas as semanas aliviar-me da carga pesada que significam os mil e um caixotes de papelão, os plásticos, os vidros e afins.
Este meu cuidado (que é dever, de todos) com a reciclagem causa-me problemas grandes num espaço tão pequenino como o meu. Mas vai-se fazendo.
A Valnor é a empresa de recolha de recicláveis do Alto Alentejo e Marvão sempre foi ponta de lança neste domínio.
Tem um passo ligueirinho de atleta mas queixa-se porque o camião não entra cá dentro e tem que alombar com tudo às costas.
- Nenhum dos meus colegas quer vir a Marvão
Entendo perfeitamente, é que nisso, como em tantas outras coisas, Marvão é só para resistentes.

sábado, 31 de março de 2012

Os lagartos da Páscoa

Aqui fica um vídeo com os lagartos da Páscoa, tradicionais em Marvão, Castelo de Vide, Portalegre (e não sei se por mais alguma terra)
Quem se quiser aventurar na cozinha, tem aqui a receita. Quem for mais de comer e menos de cozinhar, sempre pode encomendar na Mercearia de Marvão.
Feitos pela D. Luísa Almeida, são uma delícia! Também existem na versão coelhinho, com o ovo na barriga.
Os lagartos são tradicionalmente oferecidos na Páscoa pelos padrinhos ou pelos compadres/comadres

sexta-feira, 30 de março de 2012

Esgamachas

Arrumando as compras no saco, dizem um para o outro:

- Oh homem, olha que me estás a esgamachar isso
- Ora, isso também é para esgamachar na barriga...

(perguntei depois, esgamachar é esborrachar, à moda de Montalvão-Nisa)

E assim aprendi uma palavra nova, logo de manhãzinha

quarta-feira, 28 de março de 2012

A Mercearia não é só minha, é vossa também


De vez em quando sou surpreendida com a generosidade das pessoas.
É que a generosidade manifesta-se de várias formas. É a visita de amigos que não via há imenso tempo, são donos de lojas inspiradoras que fazem um desvio na rota alentejana para me conhecer ou me sugerem novos produtos, é também a oferta de objectos que vão enriquecendo a minha galeria.
Crescem assim as histórias para contar. Os dias ganham mais sentido. A mercearia cresce, e cresce também a sensação que este projecto não é só meu.
É de todos que o ajudaram a nascer.
É de todos que o visitam, que aqui fazem compras.
É vosso, tanto quanto meu.
OBRIGADA!

sexta-feira, 23 de março de 2012

O ceguinho

Era um cão mas parecia um coelhinho sempre aos saltos.
Era um cão e era um sobrevivente.
Bonito ou apenas patusco, conforme que olhos o viam
Era um cão mas ele não via ninguém, era cego.
Chamava-se Pacho, eu chamava-o ceguinho.
No tempo em que os donos moravam em Marvão, o ceguinho parava muito pelo Largo do Pelourinho. Por vezes, quando eu chegava de manhã, ele andava por lá mais a Mimi, a mãe. Esperavam a dona que bebia café com as colegas no Sr. Fernando.
E por vezes depois do almoço, eu fazia a rua do Relógio e encontrava-o já na esquina.
O ceguinho teve muita sorte com os donos que lhe calharam. Tratavam-no bem, tornaram-no um cão independente, com toda a certeza feliz.
Apesar de cego, não andava à trela, explorava a vila à vontade, como qualquer animal deve poder fazer.
Não dava mão, ou seja, não me deixava fazer-lhe festas, com uma desconfiança natural. Arranjou uma forma engraçada de andar por aí, uma mistura de tacto (ou seja, com as patinhas), a audição e o olfato. Andava aos pulinhos, tateando, farejando, explorando.
Agora que penso nisso, Marvão é uma terra boa, também para os cães.
O Popov, a Nina, o Boris, o Scott, o Sebastião, o Lucas e todos aqueles de que não me lembro o nome, têm donos que os cuidam. Há excepções, claro, infelizmente.
Sim, eles sujam as ruas, e ladram de vez em quando, fazem-nos esperar quando não se desviam dos carros e assustam aqueles que não gostam de cães*
Mas são de facto os nossos melhores amigos. Desinteressados, fieis, carinhosos. Ficam felizes com tão pouco....
O ceguinho já morreu. Deu-me saudades quando vi a foto que a dona dele colocou ainda à pouco no facebook. Deu-me saudades de o ver por aí a saltitar, na vinda do almoço.
* já ouvi a alguém e acredito ser verdade, quem não gosta de cães não pode ser uma boa pessoa.

terça-feira, 20 de março de 2012

Em Nisa






Aproveitei a minha manhã de folga para ir a Nisa. Parei na oficina do Sr. Pequito e da mulher, para comprar barro decorado com pedrinhas, típicas de Nisa.



As cantarinhas, as "pixeiras" e todos os outros trabalhos são moldados pelo Sr. Pequito e decorados pela sua senhora. Adoro o modo como ela toca as pedrinhas. Tanto ano, tanta experiência, tanto saber.







O Centro Municipal de Artesanato é dos meus sitios preferidos. Uma mesa de alfaiate enorme, o som das máquinas de costura, as senhoras, doces senhoras que fazem coisas tão bonitas. A do filme estava a fazer um enorme cortinado para uma das janelas da Assembleia da República.



Comprei pegas, sacos das amêndoas, bolsas variadas, de feltro, para trazer para a Mercearia.



Gosto muito de Nisa. Há qualquer coisa de mágico no sotaque, na riqueza do artesanato, na doçura das pessoas.