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terça-feira, 30 de julho de 2013

Cultura em Marvão. Mal...tão mal...

Temos pouca oferta cultural em Marvão
É um facto
Pouca e muito mal divulgada, o que ainda torna tudo bem pior.
Ontem houve um concerto na igreja de São Tiago de música renascentista, integrado na Boda Régia.
O cartaz e os flyers foram entregues para divulgação aqui na Mercearia no próprio dia, pela hora de almoço.
Pois...
Hoje como sabia que haveria outro concerto na mesma igreja procurei na página do Município se seria o mesmo horário (demasiado cedo, pelas 20.30...)
Figura o cartaz e o flyer para download, é um facto, mas destaque para o concerto de hoje, nada...
Página do facebook do Município sim que destacam, num post de ontem, mas o dia da semana está enganado, criando mais confusão.
É assim que estamos e mais não merecemos, pelos vistos...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Os grandes e os pequenos

Ontem recebi no correio um folheto publicitário do E.Leclerc de Portalegre.
Uma promoção só com produtos regionais, o que me parece muito boa ideia.´
Defensora que sou das marcas da terra, estive com atenção a ver preços. Sei o que é a competição em termos de preços no comércio a retalho, sei da dificuldade dos pequenos produtores em colocar os seus produtos nas grandes superfícies. Os contratos que estas grandes lojas fazem são ferozes e quando não são bem geridos muitas vezes podem significar a ruína dos pequenos negócios.
Como em tudo na vida, é gerir e negociar entre as partes
Mas voltando à questão dos preços, verifiquei no folheto em questão que há produtos que eu compro directamente aos fabricantes que surgem com um PVP mais barato do que o preço que eu pago enquanto retalhista...

Se isto é correcto? Se isto é justo? Não. Quem fica a perder? São sempre os pequenos, sempre...
Mas é assim que funciona. Eu sou apenas uma merceeira numa terra com pouco mais de 100 habitantes, não significo muito....não compro em quantidade...
Se eu decidir comprar ao E.Leclerc de Portalegre ainda conseguirei reduzir os preços enquanto o stock durar...
Se me agrada isto tudo? Nada
Mas se é assim que funciona o jogo, que remédio tenho eu, que sou pequena...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A moda do empreendedorismo

Há dias que são tão complicados
Dias em que as preocupações não nos largam, os prazos e as obrigações também não, em que as contas para pagar nos perseguem como leões famintos e desejosos de nos devorar inteiros.
Dias que começam às 7.30 para só acabar às 2.30 da madrugada seguinte, fazendo-nos perder a calma, a tranquilidade, da possibilidade de disfrutar do "estar" com aqueles que gostamos.

Vai-me dando cada vez mais graça a moda do empreendedorismo, juro que sim. É tão bom, tão bonito e tão fácil fazer e acontecer.
Mas é para os outros...
É tão injusto a conversa do, "então, qual vai ser o próximo projecto?", como se não fosse tão difícil ter chegado até aqui, manter a funcionar, fazer resultar...

O território é adverso, perde gente de dia para dia, quando são exatamente as pessoas que fazem tudo girar. O país está em modo adverso, e localmente , sabe Deus...nem o ano de eleições faz lembrar os do poleiro que há solicitações a responder, há coisas importantes a tratar, antes se dão beijinhos a velhinhos que resultam em pleno, para quê perder tempo com quem não vota em nós...para quê perder tempo com pessoas a quem já tirámos tudo...

Dói ver o que me rodeia. Dói ver a dificuldade de quem realmente merece e luta como eu para se manter à tona de água, enquanto outros por quem passo todos os dias não têm noção do que custa ganhar o dia a dia, o chegar ao final dê cada mês. Não sabem o difícil que é não ter quem nos ponha o salário na conta...
Há quem mereça, mas há tantos que não...há tantos que se queixam por nada...

Já não vou conseguindo ter paciência e tolerância, há dias que não consigo ter paciência para os xicos espertos, para quem não cumpre, não é sincero, quem pedincha sem dar nada em troca, quem copia, quem prejudica. Tento acreditar que quem faz mal aos outros recebe em dobro... mas tarda, tarda tanto,..

Lembro-me do dia em que estive num programa de televisão e quando cheguei a casa e liguei o computador li qualquer coisa parecida a esta frase, vinda de uma pessoa que eu não conheço nem nunca falou comigo:
- Parabéns Catarina, é preciso trabalhar mas também é preciso ter dinheiro...
Lembro-me da maldade e da inveja que está por detrás deste comentário. Esta pessoa, que eu já esqueci o nome,  não me conhece, nunca trocou duas palavras comigo. Mas ainda assim, e porque eu apareci contente e feliz num programa de televisão, acha que tem visão raio X para a minha conta bancária, acha-se no direito de menosprezar a luta que eu travo todos os dias.

Porque eu sei que tenho muita sorte. Que tenho muito, que estou no meu caminho e só preciso continuar em frente, afastando o que não interessa. Mas caramba, hà dias que são tão complicados, que desabafar é a única solução...mesmo que não se conte da missa a metade.
Dou voltas e voltas e tentar encontrar soluções, a tentar ajudar quem eu sei que merece, a sonhar no fundo...porque sonhar alivia o peso dos dias.

E agora siga, que ainda há muita coisa para fazer hoje...

domingo, 14 de julho de 2013

Repartir

Entrou uma família de quatro. Pais e duas filhas pequenas.
Eram brasileiros e os brasileiros são quase sempre simpáticos e conversadores. Confirmei isso mesmo.
O pai comprou uma boleima de castanha com uma moeda de um euro. Quando ia entregar o troco de 10 cêntimos a filha mais velha estendeu a mão e entreguei-lhe a moeda.
A filha mais pequena ficou triste. Pedi:
- Dás-me a moeda de volta?
Ela deu.
Abri a caixa e tirei duas moedas de 5 cêntimos que entreguei a cada uma delas.
Ficaram contentes.
O pai disse:
- Também é mãe. E de dois filhos.
- Dois a caminho dos três.
Com pouco nos entendemos e conhecemos.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Quando nasce um menino, é sempre Natal


Nasceu na semana passada.
Há sete anos que não nascia um bebé em Marvão (vila)...
Que a chegada da Sofia seja um sinal de esperança e renovação.
A Mercearia não podia deixar de oferecer uma prendinha, como que a dizer: Bem-vinda sejas!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Crónicas da Vida na Aldeia – A má língua

Soube hoje de um episódio triste. Eu às vezes tenho para mim que na aldeia também sou um pouco outsider (e ainda bem) e por isso só venho a saber das coisas muito tarde. Enquanto ouvia a história, contada pela “personagem principal” não conseguia deixar de rir, porque no fundo é uma história insólita.

Os pormenores pertencem a quem de direito e o processo ainda está em curso pois envolve as autoridades, mas resumindo, não passa de um mau entendido! Uma daquelas histórias que parece de filme pelo caricato que significa e que confiando no bom senso de todos, se há-de com toda a certeza resolver.

Mas  ele há os episódios insólitos e os episódios insólitos que acontecem em contexto de aldeia. E isso, senhores, faz toda a diferença. Porque quando se escolhe viver numa aldeia escolhe-se viver em comunidade, com todo o mau e o bom que isso acarreta.

Por mais que uma pessoa tente viver para si, na aldeia, não se consegue. Por uma razão ou por outra, tarde ou cedo, acaba por ser vítima de boatos e falatórios. Ele é porque é de fora, porque se veste de forma diferente, porque os filhos levam sandálias para a escola enquanto os outros usam ténis, porque não vai à missa, porque sai cedo de casa ou entra tarde, porque deixa crescer ervas daninhas no quintal ou porque comeu demasiados doces no natal e engordou.

Agora imaginem: Uma cachopa nova que veio de fora com a família para iniciar um negócio novo! Que se veste de forma descontraída porque passa os dias metida numa obra e isso o exige. Imaginem que esta cachopa tem queda para se meter em “filmes” insólitos e por uma imprudência se vê “apanhada” pelos guardas enquanto come um gelado descansadamente com o filho ali para os lados da Portagem….isso……é um prato…é tudo o que as dondocas que frequentam as mesas do café precisam para começar o chorrilho de mentiras, mal discência e muita, muita mesquinhez. Carradinhas de mesquinhez.

É que eu tenho muito mais medo das más línguas da aldeia do que tenho dos senhores guardas. Muito mais! (até porque quanto aos guardas até casei com um). É que nas aldeias se concentram muitas pessoas que não entendem que o mundo é muito maior do que o morro de Marvão, que a vida é muito mais complexa do que contam o Goucha e a Cristina nas manhãs da TVI e que a forma como a vizinha estende a roupa no estendal, só por ser diferente da sua, não é assim tão grave.

É nesses momentos que cai em nós que há mesmo pessoas más, com mau fundo, com rancor no coração e principalmente na língua. Destas, só pena, muita pena, porque tarde ou cedo, sofrerão em dobro aquilo que fazem os outros.

O problema  é ter que enfrentar essas pessoas todos os dias nos cafés, na mercearia, ou quando se levam os filhos à escola. Porque é assim a vida na aldeia, vivida em comunidade. É ter que as encontrar nas festas  e ter que cumprimentar, ou quando as coisas já estão irremediavelmente azedas, ignorar, com a altivez de quem tem a verdade do seu lado.

É ser maior do que a mesquinhez das más línguas da aldeia. É difícil, tão difícil…

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Em resposta ao post do Tiago Pereira


Tiago

Eu tenho consciência que de vez em quando desce em mim a bruxa má que neste caso se olhou ao espelho e disse:

- Espelho meu, espelho meu, há festa mais bonita do que aquela em que eu participava?

Tudo o que vem a seguir tem uma mistura injusta de verdade e exagero, explicada pelo meu amor ao dia e ao evento, aos meus filhos e às minhas hormonas saltitantes. Passado um dia, já não teria disparado em todas as direcções como fiz. Alguns tiros manteria em mira, outros não.

Eu reconheço o teu empenho e esforço, bem como o do Jorge Rosado, o do Américo, o do Hernani, o do Filipe Ferreira e tantos, tantos outros. Tu sabes que sim! É por isso que tenho estas pessoas que nomeei como amigos. É por isso que estou desertinha de ir para Marvão viver com as rapas e ver aí crescer os meus filhos, nessa terra de vista lindas e pessoas complicadas (que o é! Como tão bem disse a Marília ontem no meu post)

Beijinhos

terça-feira, 4 de junho de 2013

O Dia da Criança de Marvão 2013

Se há dia em que ninguém tem direito de falhar é no dia da criança.
Não dá, é impossível, este dia é-lhes devido, é delas.
E falhou-se, no dia da criança de Marvão (na minha singela opinião, claro, que vale o que vale)
Comecemos pela análise do dia: Dia da Criança comemorado no dia 4 de Junho. Como? Porquê? Porque dá jeito aos adultos? Nem dia 31 ou 3?Adiante que nem é o mais importante.Certo...
Depois a escolha do espaço: O Castelo de Marvão!
Um espaço sem grandes sombras e com pouca água, exatamente o oposto do local onde antigamente se comemorava esta data, o centro de lazer da Portagem.
Porquê? sei lá, nem quero saber...
Depois vem as questões das rapas. A mais obvia! Vieram em massa no domingo, fizeram estragos na segunda feira. Não sabiam que também as haveria na terça com o calor a manter-se? É óbvio que sim, e com elas o extra dos mosquitos. Mantiveram os planos com a teimosia própria de quem não quer dar o braço a torcer... e o burro é o que anda a pastar lá pelo albacar?
Não é!
Andou-se a espalhar "produto" na segunda feira à noite! Lindo, mesmo lindo, mesmo que vinte mil especialistas me digam que o "produto" é inofensivo, eu quero os meus filhos num espaço onde este foi espalhado há menos de 24 horas?
Nem respondo...não preciso...
Depois as brigas, as briguinhas de comadres! Aqui entra a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia e a direção do Centro Cultural. Quem tem razão?
QUERO LÁ SABER!!!!
Os senhores que briguem nos outros dias do ano, têm portanto imenso tempo para o fazer, mas neste não! Este não é o vosso dia seguramente, este é o dia dos que sonham, dos que acreditam em magia, nos que acreditam no poder de fazer o bem!
Basicamente o que eu sei é que estragaram o dia! Que às 12 horas estavam as crianças a abalar no autocarro para a Portagem.
Acabo com o programa: a educadora da minha filha teve a amabilidade de mo mostrar. Entre outras coisas eu li: Treino Físico; Treino de Tiro; Treino Militar...
M-E-D-O
Ainda ontem comentávamos ao jantar: A blusa deste ano devia então ser com padrão camuflado, se é para levar as criancinhas para a guerra...
Mas não, aí não, exagero meu! As actividades tinham a ver com a temática medieval, de jogos bélicos/tradicionais...vá enfim, bem enquadrados no castelo...E havia gente trajada a rigor, e uma associação/empresa a supervisionar...
Longe vai o tempo do trabalho de equipa entre funcionários da Câmara, em que tudo era pensado, sonhado, executado com a prata da casa...longe vai o tempo...

Se a minha filha me vai dizer que gostou do dia? É obvio que sim, isso é o mesmo que perguntar a quem tem pouco se não ser um pedacinho de alguma coisa...
Deixar uma criança contente não é difícil...
Agora os pais...agora esta mãe... isso são outros quinhentos, e esta mãe aqui não gostou! Nada! E diz com todas as letras!
Porque esta mãe desde que o é, que se envolve, que participa, que está presente nas listas das Associações de Pais. Porque esta mãe quer saber!
E por isso mesmo não aceita para os seus nada menos do que o melhor!
PORQUE NÃO É ESTE O LEGADO!
O legado do dia da criança de outros tempos não são produções milionárias e estrondosas, é tão simplesmente AMOR, DEDICAÇÃO, EMPENHO, É DAR O MELHOR POR ELES.
E isso foi exatamente o que falhou. Preocuparam-se antes  em brigar,  lançar comunicados, dizer mal uns dos outros, deixando o que importa para trás!

Shame on you, meus senhores, shame on you
TODOS! Sem nomear ninguém, porque lá nisso, portaram-se todos da mesma maneira.
E desculpem lá se chateio alguém com este texto, desculpem lá se exagero. Acreditem que não é por maldade. É que eu estava aqui na loja de manhã e apesar dos mosquitos abri um pouquinho a porta quando ouvi o hino.
Era a minha voz...mas já não era, entendem...já não é esta a minha festa. A minha, agora, é vivida através da alegria dos meus filhos. Porque tudo o mais, fizeram por tirar-me.
Para um ano um conselho...vivam mais o dia, vivam-no a brincar, pensem-no como...uma criança!
Vai correr bem melhor

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O Mar de Marvão

Fico emocionada com o trabalho dos meninos, com o facto de tão bem compreenderem e amarem a sua terra.
Fico feliz de estarem estas crianças entregues a tão bons professores. Quando vejo o ranking nacional das escolas penso cá para mim: quero lá saber.
Em Marvão os meninos crescem a fazer poesia. Enquanto assim for, há esperança!


(ora vejam:)

                     http://bemarvao.blogspot.pt/2013/05/o-mar-de-marvao.html

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A Mercearia do Castelo e o melhor presente do mundo



Era para ser mas já não é.
Um concurso ganho, um projecto aprovado, mobília encomendada e até o convite feito para o novo colaborador.
Seria a Mercearia do Castelo. Seria este mês de Maio.
Mas não vai ser.
Estamos à espera de mais um pequeno merceeiro. e sendo já o terceiro filho, vejo-me obrigada a abrandar um pouco o ritmo e ter que deixar a nova mercearia para outra altura.
Enfim, é este o meu testemunho de mulher empresária, perde-se uma oportunidade de negócio para ganhar o melhor presente do mundo.
Não há lamentos, apenas as prioridades bem assentes e um agradecimento profundo a quem teve este sonho comigo: O Centro Cultural de Marvão que apoiou sempre e entendeu a situação, o Tiago Pereira, a equipa da InAlentejo, as meninas da Unike (***** para elas) e todos os outros que directa ou indiretamente se envolveram.
Estou certa que o futuro trará outras hipóteses igualmente boas, agora é tempo de me concentrar no tanto que já tenho....

(foto do Luís Barradas a quem agradecemos)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Canhota


Estava a escrever na ardósia "Beijinhos de Castanha" quando ela entrou acompanhada de mais um casal.
Uma antiga professora primária que me gabou a letra:
- Que letra tão bonita e direitinha para uma canhota!
Expliquei que me custou a aperfeiçoar a grafia. Tinha uma letra demasiado grande e torta, trocava algumas letras. Tive sorte de ter uma professora de primeiro ano que batalhou muito comigo.
(Chamava-se Francisca, querida senhora que vejo de tempos a tempos em Portalegre).
Colocou-me na carteira da frente e fez-me fazer cópias. Tantas cópias que atingindo eu a caligrafia esperada, nunca mais a mudei, nem mesmo no secundário ou na universidade, em que se escreve de forma mais apressada, deixei de ter uma letra bem desenhada "à escola primária".
Deixei de ser torta na letra porque não fui contrariada. E ainda bem! Faço tudo à esquerda, mesmo tudo, e se tivesse nascido noutra geração com certeza teria tido dificuldades.
Uma canhota direitinha na letra mas torta de feitio.
Muito prazer Sra. Professora, volte sempre!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O casalinho japonês



Passaram por cá na segunda feira.
Um casalinho de japoneses apaixonados. Novinhos, entraram de mão dada.
Tudo amiudaram, os japoneses são assim. Foram conversado e exclamando muitos "ahhhhhhh" e "ohhhhh"
Às tantas tomaram a decisão, escolheram uma garrafa de vinho tinto e colocaram-na em cima do balcão.

(temos piquenique romântico aí para algum cantinho, pensei eu)

Depois entraram na parte da Mercearia corrente e o rapazinho veio perguntar-me:

- Do you have cat food?
- I do (disse-lhe eu)
E fui mostrar-lha.

- "A portuguese brand of cat food" especificou.

Escolheu um paté de gato.
E eu pensei cá para comigo, será que não queria paté de sardinha, ou paté de atum? E disse-lhe:

- This is cat food, the food that the cats eat.
- Yes, disse ele com um sorriso.

E foram as compras. Uma garrafa de vinho e uma latinha de paté de gato.
Bichano eles não traziam, que depois até fui verificar à porta enquanto eles subiam a rua do Castelo.
Eh pá....
Será que queriam levar uma latinha para oferecer ao gatinho que deixaram lá no Japão? ou....
Eh pá....
Eu realmente dos hábitos alimentares dos japoneses só conheço o sushi....
Eh pá....

(imagem retirada da net)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Da Horta para a Mesa - um livro de Cláudia Sousa Villax


Já ouvi hoje aqui na loja que está na altura de plantar as hortas.
A chuva passou (queremos nós pensar) e o sol vai começar a aquecer.
Este livro de receitas simples e deliciosas, surgiu de uma horta biológica de Marvão.
Um projeto delicioso da Cláudia e da sua família que eu conheço de outras andanças e outras escritas, igualmente interessantes.
Mas disso falarei depois que as boas surpresas são para revelar devagarinho, depois de uma conversa que se deseja para breve.
O livro está à venda nas grandes livrarias, mas eu quero muito que em breve venha para a prateleira da Mercearia mais bonita.

As crateras do Porto da Espada

FOTO DE JOÃO LUÍS GARÇÃO

Não se devem a meteoritos nem a nada que tenha descido dos céus.
A terra abateu, e enquanto fenómeno geológico, é normal para terrenos deste tipo (calcários, que deixam infiltrar muita agua)
No vale da Aramenha corre muita água, e o facto de ter chovido muito este ano aumentou o caudal subterrâneo.
Mas causa uma estranheza natural, e depois de ter falado com o João Luís e o meu cunhado, apeteceu-me escrever sobre o assunto.
Lembremo-nos da gruta da Cova da Moura, que detém uma das mais importantes colónias de morcegos da Europa. Sabemos que era uma antiga mina de chumbo, mas terá surgido assim também?
Conta-me o João Luís que fica muito próximo destas novas crateras.

Quando trabalhava no arquivo lembro-me de ter inventariado numerosos processos de exploração de minérios. Muitos, mesmo muitos, do Vale da Aramenha, que vai do Porto da Espada até à Escusa, onde se extraía a cal.

Um fenómeno normal mas impactante, sem dúvida. E perigoso, alguém que caia neste buraco dificilmente terá volta. Os terremos ainda estão muito instáveis.

Dizem os agricultores da zona em que em alturas de muita água, é normal que os animais em determinados sítios afundem as patas na terra...

 É fundo, muito fundo...E mesmo pela sua fundura o que impressiona mais, diz quem viu, é o som.
O som da terra, da água que passa lá em baixo, o som do desconhecido.
Não há mar nesta terra, mas é assim que soa, como ondas a bater, com gravidade e profundidade.

Respeito pela natureza, é a lição a tirar, muito respeitinho....

sábado, 6 de abril de 2013

Frigorífico natural


A Dona Angélica nasceu em Marvão.
Fez a primária na escola que esteve instalada ali para os lados do Calvário, na subida.
A mãe trabalhava na Santa Casa e ela ia muito para lá, e por isso aparece numa foto linda com as meninas da Santa Casa,  que eu usei como capa de caderno da Mercearia.
A Dona Angélica conhece toda a gente em Marvão, conhece muito sobre esta terra. E eu gosto quando ela me conta coisas porque aprendo muito.

No outro dia estávamos a falar da chatice que foi para mim ter uma nascente de água aqui na Mercearia. Ela diz que sim, que é verdade, as casas da rua do Espírito Santo, por estarem encostadas à rocha, em anos de muita chuva aparece a água nos rés-do-chão.
Há muitas casas em Marvão em que isso acontece.
Há que encaminhar a água para a rua, não há nada a fazer, a natureza manda e nós temos que respeitá-la, é mais forte do que nós.

Por causa deste facto contou-me uma coisa curiosa. O rés do chão das casas de Marvão serviam antigamente para guardar o animal, o burro, o meio de transporte. Para quem o tinha, claro.
Isto eu já sabia, é a chamada loja do piso térreo.
A Mercearia de Marvão está instalada numa "loja" de píso térreo.

O que ela me contou é que pelas nascentes de água e por estarem os rés do chão muitas vezes com rocha aflorada, também serviram deste sempre como "frigoríficos" quando estes não existiam.
É natural, são as divisões mais frescas, portanto onde os alimentos melhor se conservavam.
As coisas são simples, naturais, quando pensamos melhor nelas.

Tal como natural é a minha constipação. Eu passo horas dentro de um frigorífico natural...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Globetrotter

Esteve cá na semana passada e tenho-me esquecido de escrever sobre isso.
Não lhe perguntei a nacionalidade nem tão pouco o nome, a conversa foi tão interessante que estes (grandes) pormenores ficaram para trás...falava português e inglês.
Apresentou-se como escritora de guias de viagem. Gostou muito da mercearia e contou-me histórias.
Fez compras, já não sei bem o quê.
Falei-lhe do projeto da Estalagem e levei-a  ver a obra. Deu-me sugestões e dicas importantes.
Levou um cartão meu. Não sei se me voltará a contactar ou se chegará a escrever sobre o que encontrou em Marvão.
Ainda assim, foi uma bela conversa. Deixou-me a pensar numa coisa curiosa: Eu que tenho tanto apego à terra onde nasci, digo sinceramente que aquilo que mais invejo na vida é quem tem a possibilidade de viajar muito.

Na minha opinião, não há melhor forma de crescer interiormente e aprender coisas novas do que viajando.
É confuso, certo? Assumo que sim.
Uma escritora de  guias de viagem. Uma pessoa a quem pagam para viajar e para escrever sobre as suas visitas e aquilo que lhe desperta a atenção.

Ai inveja da boa....

sexta-feira, 29 de março de 2013

Um castelo concessionado


A Câmara Municipal de Marvão demitiu-se ontem das suas responsabilidades relativamente ao seu maior monumento.
Colocando a questão assim parece irreal, verdade? Mas não é.
Demitiu-se mesmo, limpou daí as mãos. A responsabilidade da gestão do Castelo de Marvão passou a estar concessionada ao Centro Cultural da mesma vila.

Vou então explicar tudo de forma resumida: A Câmara de Marvão abriu um concurso para todas as Associações do Concelho, interessadas na exploração comercial e cultural do seu Castelo.
Através da cobrança de um bilhete de entrada, essa Associação teria que fazer a  gestão do espaço, mas mais variadas vertentes.
Concorreram duas associações: A Terras de Marvão (que por sua vez, toda a gente sabe que é encabeçada por membros do partido no poder e cujas acções já foram amplamente debatidas, por exemplo, no Fórum Marvão) e o Centro Cultural de Marvão.

O Centro Cultural, composto por marvanenses aguerridos e acérrimos defensores do património da sede do concelho, não quis deixar que o ex libris passasse a andar ao desgoverno dos interesses pessoais de alguns, e foi à luta. E ganhou com a melhor proposta.

Para tornar possível a gestão do Castelo, principalmente em termos financeiros, o Centro Cultural, por sua vez, abriu concurso para empresas potencialmente interessadas em fazer exploração de um dos quatro espaços comerciais disponíveis no recinto do Castelo.
Eu concorri, e ganhei o espaço que pretendia.

Ontem, apesar de não concordar de forma alguma como toda este "passar de testemunho" oriundo do Município, eu escolhi fazer parte não do problema, mas sim da solução.
Apresentei as ideias que tenho para o espaço (que tem data prevista de abertura para Maio) e no mesmo dia, submeti candidatura ao Programa Valorizar, que apoia este tipo de iniciativas dos micro-negócios.

O Castelo de Marvão tem agora entrada paga. Se é uma boa ideia? É discutível, cada um que diga o que acha! A decisão, essa, foi tomada pela Câmara Municipal.
Mas espera, dar a cara por essa decisão é que não apetece, é chato, tem encargos e chatices. Então que se faz? Fazemos uma concessão....é como dizer:
"Agora desenrasquem-se!!!!" ou "Tomem lá o menino, cuidem dele"

E é assim que vai ser, como curiosamente sempre foi desde sempre e com os mais variados exemplos da história.
O seu a seu dono. O Castelo de Marvão aos marvanenses que dele têm orgulho.Os que dão a cara, o tempo, o empenho e o trabalho.
Com tudo o que isso significa de bom e de mau*
Os outros, estão de passagem!!!!

*não estou a falar de marvanenses e não marvanenses de nascimento (isso também eu não sou)
Quero falar nos que realmente gostam de marvão, distanciando-os dos que se servem de Marvão

sábado, 16 de março de 2013

A vida por trás de um balcão

Uma Mercearia é um espaço onde se conversa, onde se trocam ideias, onde se desabafa. É assim tradicionalmente, é assim na vida das terras pequenas.
No início da semana,  uma pessoa que conheço bem foi terrivelmente maldosa ao falar de outra, que também conheço bem e obviamente não estava presente.
E deixou-me a pensar, nisto da natureza humana...haverá pessoas de mau fundo, maldosas? Eu acho que a vida só nos ensina que sim, que as há.
 É obvio que eu também já fui má muitas vezes, por palavras ou acções, mas ainda assim, acho que consigo encontrar uma justificação, uma razão para tal.
Onde fica nesse caso a consciência? Os valores? A educação?
Agora, e quando é sem sentido? Quando mal se conhece o outro e se fazem acusações graves e sem razão de ser?
Numa mercearia há um balcão que nos separa, há o dever de ouvir e por vezes calar,  há o dever de não intervir. Mesmo que custe.
E a prova que custa é que passados vários dias, ainda estou a pensar nisso....

segunda-feira, 11 de março de 2013

Vitória em tribunal!


No final de Agosto de 2011 terminou o meu contrato na Câmara Municipal de Marvão. Foram 9 anos (contando com o estágio profissional) de contratos a prazo. Esse final de ciclo coincidiu com uma licença de maternidade e em termos pessoais, como imaginam, não foi um período nada fácil.

Numa terra com poucas oportunidades como Marvão, sabia à partida que estava condenada a nunca mais exercer a minha profissão, mas em família, hierarquizámos prioridades e decidimos ficar, criando um negócio próprio.

Foi assim que surgiu a Mercearia de Marvão, em Novembro de 2011 e todos os projectos que a ela se ligam.

Agora imaginem, duas crianças pequenas, duas casas para pagar e um negócio emergente.  Eram dois bons salários estatais e de repente veio o desemprego e a necessidade de dar a volta por cima. Para além da banca, recorremos ao incentivo do IEFP que contemplava a possibilidade de receber o subsídio de desemprego todo de uma vez, desde que investido na criação do posto de trabalho.

No meio de todo este redemoinho de emoções, readaptações e novas realidades, eu sabia que a lei me conferia um direito: a compensação pela caducidade de contrato, prevista nos
artigos 252°, n° 3 e 253°, n° 4 do RCTFP (entretanto alterado, penso eu) que se “verifica sempre que a caducidade do contrato a termo não decorra da vontade do trabalhador e este não obtenha uma nova colocação que lhe assegure a manutenção de uma relação jurídica de
emprego público.”

Como é natural, solicitei o pagamento do montante previsto na lei à minha antiga entidade patronal.
Que se recusou a pagar. E não só se recusou a pagar como nunca me esclareceu devidamente, seja pessoalmente ou por escrito, as razões desta recusa. Lembro-me por exemplo das palavras de um chefe de divisão  : “Ah, há um parecer de outra câmara, que diz que o que está na lei não é bem assim e então o Sr. Presidente decidiu não pagar”

Fantástico, não é? Eu até consegui um parecer do Provedor de Justiça, mas mesmo assim, se recusaram a pagar.

E então eu fui falar com um advogado, e certa da minha razão e esgotadas todas as possibilidades de diálogo, avancei com um processo em tribunal.

Em Janeiro de 2013, passados portanto cerca de um ano e meio, veio a decisão. A meu favor.

Em Fevereiro o processo transitou em julgado e veio a sentença definitiva. E a Câmara Municipal de Marvão pagou-me.

Para mim, naturalmente foi uma imensa vitória. Uma vitória que tardou no tempo, envolveu custas processuais e os honorários ao advogado. E mais do que isso, envolveu um desgaste pessoal muito grande e nenhum dinheiro no mundo pagará.

Se a história acaba aqui? Não! Ainda está a decorrer um outro processo relativo a um concurso público que eu ganhei e o Sr. Presidente da Câmara anulou. A ver vamos. É uma outra história…

O meu conselho vai para todos os que se vejam na mesma situação: Nunca abdiquem dos vossos direitos!

A justiça pode tardar mas acaba por cumprir-se. A dos homens, falo na justiça  dos homens, porque ainda há outra…aquela que diz que o mal que fazemos aos outros regressa em dobro…

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Eu, inútil licenciada em História, me confesso...


 
 
O Sr Camilo Lourenço acha que os licenciados em História são inúteis
Engraçado que eu acho o contrário. É que o curso a mim serviu-me para muito mais do que um canudo.
Serviu para me ensinar a pensar. Serviu para me ensinar o meu lugar no mundo em relação aos outros. Serviu para não me achar nem mais nem menos do que alguém só porque me dão direito de antena na televisão
Utilidade para a economia? Tenho muita, pois não só sei trabalhar na minha área de formação como, quando foi preciso, me tornei uma empresária em tempo de crise no interior do país. Porque já dei emprego, porque dou dinheiro a ganhar aos produtores da minha região.
Se precisam de pessoas como eu na minha terra? Eu acredito que sim, pena que este senhor não ache o mesmo...mas olhe,não é o único, na Câmara da minha terra também há quem pense assim...
O que fazer contra isto? Trabalhar, trabalhar muito, e mostrar-lhes que estão errados.
Camilos há muitos, e camelos então....