Se há uma pergunta à qual respondo invariavelmente todos os dias, seja a clientes da loja ou aos hóspedes da Estalagem, é quantos habitantes tem a vila.
Numa terra em que morrem muitos mais do que aqueles que nascem, respondo sempre da mesma forma: somos 100 habitantes.
Apesar de ser um número baixo e ser relativamente fácil percorrer rua a rua, casa a casa até atingir o número exacto, a verdade é que um número redondo como 100 dá conforto, é redondinho.
O César era um desses 100 e não havia ninguém que não o conhecesse e considerasse. Perdeu a mobilidade após um acidente de viação muito grave há várias décadas atrás. Vivia em cadeira de rodas, aos cuidados da mãe, numa casa do Terreiro.
Apesar das dificuldades, e foram tantas ao longo dos anos, com problemas de saúde constantes e a dificuldade natural de viver numa terra que não foi feita para pessoas com pouca mobilidade, a verdade é que ao César sempre se viu um sorriso na cara, sempre teve uma palavra amiga para toda a gente, sempre foi um embaixador apaixonado da sua terra.
O César gostava de viver, era grato à vida, mantinha a esperança e valorizava as pequenas coisas. Que lição imensa.
Desde ontem somos menos de 100 porque perdemos mais um.
Aliás, somos muito menos de 100 porque perdemos um dos grandes.
sexta-feira, 21 de junho de 2019
domingo, 12 de maio de 2019
sexta-feira, 3 de maio de 2019
Van Gogh
Era para ter sido um dia normal, de folga, com ida a Portalegre às compras. Não foi.
Quando descíamos de carro do Calvário para as Portas da Vila, vi rolar desamparado, na calçada, uma pequena bolinha de pêlo.
Como acontece, muitas vezes, naquela hora do dia, para cima vinham os funcionários da Câmara e outros serviços. Numa rua em que só nos cruzamos dificilmente, a opção era atropela-lo segunda vez ou ir apanhá-lo.
Foi apanhado, obviamente. Não miava mas sangrava bastante, assustado.
Deixei o pequeno merceeiro na Escola e segui para Portalegre, direita ao consultório dos meus amigos Marisa e Pedro Alegria.
O diagnóstico não tardou. Tinha a orelha muito maltratada e a cauda teria que ser amputada. Mas de órgãos internos e esqueleto estava bem,
Ficou para a operação. Ao final da tarde soubemos que tinha corrido tudo bem.
Hoje espera-nos para regressar a Marvão. Para nossa casa, claro, porque precisará de ajuda para recuperar. Já tem leite adaptado, whiskas para bebés e do amigo Daniel, uma caixa de transporte para não voltar aos tombos nas curvas da serra.
Pequenos merceeiros querem fazer a adopção plena depois do salvamento. Merceeiros com dúvidas. O nome ficou logo escolhido.
Van Gogh da orelha partida. Van Gogh corajoso da calçada de Marvão. Gato vadio sem cauda mas com muita sorte
segunda-feira, 29 de abril de 2019
Dos melhores textos sobre o Alentejo que li nos últimos tempos
Houve tempos em que cantar ainda não era um património cultural, a comida ainda não se chamava gastronomia, as lonjuras ainda só cansavam as pernas e os sonhos, a calma não acalmava assim tanto e o vinho não se bebia em copos de pé alto nas casas de Turismo Rural. Cantava-se para purgar contrariedades, comia-se para se matar a fome, calcorreavam-se léguas de pó e lama, suavam-se sóis debaixo das boinas e o vinho fazia esquecer a manhã seguinte e bebia-se nas tabernas em copos pequenos como a vida. Os tempos mudaram e mudou a percepção que as pessoas têm de nós. Aprendemos que aquilo que anteriormente era visto como provinciano, popularucho, folclórico, é afinal o que nos define e nos distingue. Quem nos havia de dizer a nós que o cante, o vinho, o pão, o montado, o azeite, a lonjura e o vagar, seriam a trave mestra de uma identidade tão amada? Soubemos explicar o que temos e o que somos. Deixámos de ter vergonha e algum complexo de inferioridade, abrimos portas, janelas, baús, peitos, bocas, olhos, montes, horizontes, memórias, museus. Resgatámos a poesia popular, as violas campaniças, os grupos corais, o despique e o baldão, recuperámos palavras perdidas, salvámos receitas e histórias. Soubemos fazer a tradução da tradição. Mais do que um entretenimento ou um passatempo, a tradição é um abraço, uma partilha, uma questão existencial, uma causa colectiva.
Vítor Encarnação in Diário do Alentejo
terça-feira, 16 de abril de 2019
As flores de plástico
Conheço-o da rua a passear, ajudado pela bengala. É utente da SCMM e por vezes sobe a Rua das Portas da Vila para vir aqui à mercearia, normalmente para comprar uma garrafa de vinho tinto para oferecer a um familiar que o visita regularmente.
Entrou logo cedo e disse rapidamente:
- Tem cá flores de plástico?
Eu chateada digo:
- Bom dia
Diz novamente:
- Tem cá flores de plástico?
E eu insisto:
- Bom dia
E ele volta à carga:
- Não tem? Flores de plástico?
Desisto desarmada e faço cara feia
Ele aproxima-se do balcão e diz-me:
- Desculpe menina, mas eu ouço cada vez menos
(merceeira engole em seco, afinal não era má educação ou má vontade, é só surdez)
- Precisava de um ramos de flores de plástico, quero ir visitar a minha mulher ao cemitério e não tenho transporte para ir a Castelo de Vide tratar disso, os chineses sei que têm, mas resolvi entrar para lhe perguntar.
- Lamento imenso mas não, só tenho um ramo de flores secas...Ai, espere lá...tenho lá em cima um pequeno, vou buscar.
Trago um ramo bem bonito que comprei uma vez na Loja do Gato Preto e nunca cheguei a dar uso.
- Oh que pena, são tão bonitas, mas são pequenas. A campa da minha senhora é larga e tem uma jarra muito grande, iam cair lá para dentro, não dá. Obrigada por ter ido lá acima e tudo. Eu vou aqui ao taxi a ver se resolvo uma ida a Castelo de Vide. Obrigada na mesma.
- Ora essa. Tenha um bom dia
Ele sai devagar e não me responde novamente ao bom dia. Mas desta vez não faz mal, não me importo, não levo a mal. Não temos que levar a mal todas as falhas dos outros. Ficamos mais leves quando perdoamos as pequenas falhas, E se procurarmos bem, cá dentro de nós, há sempre razões maiores que nos ajudam a aceitar , e a entender.
domingo, 14 de abril de 2019
Marvão já não é para os que cá estão
Assisto nas notícias às reportagens sobre Lisboa e Porto em que falam da especulação imobiliária, que a classe média já não consegue viver no centro da capital e que o Alojamento Local mudou a face das grandes cidades. Ouço as notícias como algo de distante e que não nos diz respeito, como se de outro país se tratasse e as diferenças entre o litoral e o interior não deixassem cá chegar o "flagelo".
Mas não é bem assim.
Viver num centro histórico de uma vila do interior não é para todos. Faltam serviços, não existem casas modernas nem as comodidades contemporâneas. Não existem garagens ou elevadores, não há aquecimento central nem internet de alta velocidade. Mas quem escolhe viver aqui, pesa na balança a felicidade que trazem as vistas largas, a segurança, tranquilidade e os bons dias dados aos vizinhos.
A autarquia faz a sua parte, promovendo o arrendamento dos imóveis municipais com rendas baixas, mas não controla bem as regras dos regulamentos que impõe, não simplifica nem promove a reabilitação dos espaços, nem dá valor a preocupações como o ordenamento do trânsito. Deixa andar...
Mas a sensação é que de facto, também aqui, Marvão já não é para os que cá estão. Somos cada vez menos. Perdem-se vizinhos e não nascem crianças...o turismo e o grande poder de compra absorvem as casas que estão à venda.
Colocar à venda uma casa por um preço especulado, afasta o português de classe média que se quer fixar. São as regras do mercado.
E depois vem o turista que quer conhecer a padaria tradicional, que pergunta se a escola ainda tem crianças ou que precisa comprar uma caixa de aspirinas e não há onde...já fechou...
É bom ter as fachadas limpas e pintadinhas de branco...claro que é, mas também importa promover a vida dentro dessas casas...
Transformam-se o sítios em museus despidos, desinteressantes, sem ninguém a circular nas ruas passadas as sete da tarde.
Uma boa experiência turística passa por sentir a vida das comunidades...ora se a comunidade já não existe, se os jovens que aqui nasceram tiveram que sair por não poderem cá comprar casa ou trabalhar, então é tudo falso, sem conteúdo, vazio.
Equilíbrio é a palavra chave. E se eu valorizo muito esse sentimento de pertença, se depende de mim resistir, fazer a minha parte no que toca a manter tradições, participar e prestar um serviço aos demais, ao mesmo tempo também gostaria de sentir que pertenço a uma comunidade onde há esperança e futuro. Hoje não é assim...veremos amanhã, aliás...veremos o que nos reserva o amanhã.
terça-feira, 26 de março de 2019
Oportunidade de Emprego
EMPREGADA (O) de LIMPEZA – HOTELARIA
CONTRATO A TEMPO INTEIRO (8h/dia)
LOCAL: MARVÃO
Entrevista dia 4 de Abril pelas 14 horas na
Estalagem/Mercearia de Marvão, Rua do Espírito Santo, nº 1 em Marvão
Trazer currículo
resumido (2/3 pág)
Dúvidas: estalagemdemarvao@gmail.com
domingo, 24 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 20 de dezembro de 2018
Operários do Natal
Ela chegou com uma nota de cinco euros e escolheu três frascos de gel de banho para levar.
Timidamente, a medo, pediu-me para embrulhar.
Eu durante segundos pensei nas grandes superfícies com a sua banca de embrulho onde cada um faz e se serve, pensei no tempo e papel que se gasta e é de borla, para embrulhar em papel de prenda três frascos de gel de banho que custam 1,65 cada.
Mas depois regressei à minha mercearia e aos olhos dela, que diziam que poder gastar 5 euros em prendas para fazer feliz alguém é bom, é mais do que suficiente.
E fui buscar o papel e fiz-lhe os três embrulhos. Ela é pequena e é generosa e por isso eu também tenho que ser generosa, no meu tempo e no meu papel de embrulho, juntas afinal, nesta tarefa natalícia de dar mais do que receber.
https://youtu.be/OOzHWw_ezDw
Timidamente, a medo, pediu-me para embrulhar.
Eu durante segundos pensei nas grandes superfícies com a sua banca de embrulho onde cada um faz e se serve, pensei no tempo e papel que se gasta e é de borla, para embrulhar em papel de prenda três frascos de gel de banho que custam 1,65 cada.
Mas depois regressei à minha mercearia e aos olhos dela, que diziam que poder gastar 5 euros em prendas para fazer feliz alguém é bom, é mais do que suficiente.
E fui buscar o papel e fiz-lhe os três embrulhos. Ela é pequena e é generosa e por isso eu também tenho que ser generosa, no meu tempo e no meu papel de embrulho, juntas afinal, nesta tarefa natalícia de dar mais do que receber.
https://youtu.be/OOzHWw_ezDw
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
Evasões 360º
Fomos à pressa à papelaria do shopping comprar o jornal porque estávamos atrasados para a sessão de cinema.
Já sentados e com um grande balde de pipocas, enquanto dava a publicidade, abri a revista Evasões 360 º (que vem como suplemento ao DN nos domingos) à procura da reportagem sobre Marvão.
Só tive tempo de ver as fotos e fiquei triste, na reportagem sobre Marvão não havia fotos da Mercearia mais bonita, apenas a nossa morada na nota lateral final.
- Ohhh bolas - e confesso, senti-me desiludida durante todo o filme.
Quando o cinema acabou, já no carro e de regresso a casa, tenho então tempo para abrir de novo a revista e ler texto.
No final disse ao Nuno : Ahhhh, tinha ficado tão triste por não ver na reportagem a foto da Mercearia mas afinal fizeram muito melhor do que isso, fizeram um texto tão bonito
A visita tinha sido curta há duas semanas atrás. Um jornalista e um fotógrafo guiados pelo Filipe da Terrius fizeram ronda a alguns produtores/empreendedores/empresários cá da terra. Contei à pressa a minha história, mostrei a Mercearia e tinha sido isso. Falei de como gosto de escrever e partilhar pequenas histórias sobre a terra e a vida do dia a dia.
Quando as visitas são curtas uma pessoa fica sempre com medo de não conseguir passar bem a mensagem, até porque mercearias e merceeiras há muitas... mas vai-se a ver, o texto do João Ferreira Oliveira captou mesmo o que eu queria transmitir.
Apesar de eu gostar muito de escrever e contar histórias, tinha este blog abandonado há muito tempo. Porque online, as coisas mudam muito depressa e estão cada vez mais imediatas. Em vez de escrever textos longos passei-os a curtos no Facebook, e quando o Facebook me começou a enjoar passei para as fotos do Instagram. A necessidade de contar histórias é a mesma, os meios é que se vão alterando. No entanto, nada muda a força de um texto com princípio meio e fim, tal como acontece num livro ou numa revista, é ou não? Dá é mais trabalho :)
O jornalista da Evasões veio ler este blog parado no tempo, recuperou um texto de 2015 quando o António Melara reinaugurou o espaço do avó como museu, para introduzir a visita deles ao Lagar dos Galegos. Ficou mesmo bonito. Deixou-me tão feliz. É que no mundo do imediato é mesmo um privilégio saber que alguém perdeu tempo a ler um texto meu com três anos e a recupera-lo desta forma.
Fez-me sentir que fixar palavras, passeios, impressões, vale tanto a pena.
Fez-me sentir que nesta pequena mercearia alentejana, onde me sento ao computador, consigo chegar ao mundo.
Obrigada!
Já sentados e com um grande balde de pipocas, enquanto dava a publicidade, abri a revista Evasões 360 º (que vem como suplemento ao DN nos domingos) à procura da reportagem sobre Marvão.
Só tive tempo de ver as fotos e fiquei triste, na reportagem sobre Marvão não havia fotos da Mercearia mais bonita, apenas a nossa morada na nota lateral final.
- Ohhh bolas - e confesso, senti-me desiludida durante todo o filme.
Quando o cinema acabou, já no carro e de regresso a casa, tenho então tempo para abrir de novo a revista e ler texto.
No final disse ao Nuno : Ahhhh, tinha ficado tão triste por não ver na reportagem a foto da Mercearia mas afinal fizeram muito melhor do que isso, fizeram um texto tão bonito
A visita tinha sido curta há duas semanas atrás. Um jornalista e um fotógrafo guiados pelo Filipe da Terrius fizeram ronda a alguns produtores/empreendedores/empresários cá da terra. Contei à pressa a minha história, mostrei a Mercearia e tinha sido isso. Falei de como gosto de escrever e partilhar pequenas histórias sobre a terra e a vida do dia a dia.
Quando as visitas são curtas uma pessoa fica sempre com medo de não conseguir passar bem a mensagem, até porque mercearias e merceeiras há muitas... mas vai-se a ver, o texto do João Ferreira Oliveira captou mesmo o que eu queria transmitir.
Apesar de eu gostar muito de escrever e contar histórias, tinha este blog abandonado há muito tempo. Porque online, as coisas mudam muito depressa e estão cada vez mais imediatas. Em vez de escrever textos longos passei-os a curtos no Facebook, e quando o Facebook me começou a enjoar passei para as fotos do Instagram. A necessidade de contar histórias é a mesma, os meios é que se vão alterando. No entanto, nada muda a força de um texto com princípio meio e fim, tal como acontece num livro ou numa revista, é ou não? Dá é mais trabalho :)
O jornalista da Evasões veio ler este blog parado no tempo, recuperou um texto de 2015 quando o António Melara reinaugurou o espaço do avó como museu, para introduzir a visita deles ao Lagar dos Galegos. Ficou mesmo bonito. Deixou-me tão feliz. É que no mundo do imediato é mesmo um privilégio saber que alguém perdeu tempo a ler um texto meu com três anos e a recupera-lo desta forma.
Fez-me sentir que fixar palavras, passeios, impressões, vale tanto a pena.
Fez-me sentir que nesta pequena mercearia alentejana, onde me sento ao computador, consigo chegar ao mundo.
Obrigada!
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Canela
Entra um pequeno grupo de turistas japoneses na loja, todos idosos. Só a guia que os acompanhava falava inglês.
Por razões que desconheço pedem canela.
Trago a canela em pó e em pau e todos exclamam em uníssono: Ohhhh
Cada um escolhe um ou dois pacotinhos e começam a estender-me as notas para pagar. Todos tinham notas de 20 euros para pagar pacotinhos de canela que custam 0,55 e 0,75 cêntimos respectivamente.
Eu aborrecida com tanto troco difícil lá os vou despachando.
No final saiem e quando eu pego nas caixas da canela para as levar de volta à prateleira, reparo que no chão ficou uma capinha plástica.
Porque era plástica reparo facilmente que estava cheia de notas de 20 euros e vários cartões de crédito.
Saio a correr para a rua e ainda os encontro parados no largo.
Devolvo a capinha plástica e ouço de novo em uníssono: Ohhhhh.
Vêem atrás de mim fazendo vênias subtis. Regressam à loja e cada um deles escolhe uma garrafinha de azeite da cooperativa de Portalegre para levar.
Viram, fregueses? Ser honesta sempre compensa
Por razões que desconheço pedem canela.
Trago a canela em pó e em pau e todos exclamam em uníssono: Ohhhh
Cada um escolhe um ou dois pacotinhos e começam a estender-me as notas para pagar. Todos tinham notas de 20 euros para pagar pacotinhos de canela que custam 0,55 e 0,75 cêntimos respectivamente.
Eu aborrecida com tanto troco difícil lá os vou despachando.
No final saiem e quando eu pego nas caixas da canela para as levar de volta à prateleira, reparo que no chão ficou uma capinha plástica.
Porque era plástica reparo facilmente que estava cheia de notas de 20 euros e vários cartões de crédito.
Saio a correr para a rua e ainda os encontro parados no largo.
Devolvo a capinha plástica e ouço de novo em uníssono: Ohhhhh.
Vêem atrás de mim fazendo vênias subtis. Regressam à loja e cada um deles escolhe uma garrafinha de azeite da cooperativa de Portalegre para levar.
Viram, fregueses? Ser honesta sempre compensa
domingo, 4 de fevereiro de 2018
Agora pense...
O
freguês gosta de estar numa fila e ser empurrado? Gosta de dedos em
riste à frente dos olhos? Gosta de ser apalpado num autocarro?
O freguês gostaria de ser amassado no meio de uma multidão? Que lhe sintam a rijeza das carnes e a frescura da pele?
Não, pois não?
É que o pão, a fruta, o queijo, os bolos, os rebuçados de ovo, quiça até um sabonete...também não...
#nãomexasenãoquerlevar
#estamoscaparaesclarecer
#denada
O freguês gostaria de ser amassado no meio de uma multidão? Que lhe sintam a rijeza das carnes e a frescura da pele?
Não, pois não?
É que o pão, a fruta, o queijo, os bolos, os rebuçados de ovo, quiça até um sabonete...também não...
#nãomexasenãoquerlevar
#estamoscaparaesclarecer
#denada
domingo, 9 de abril de 2017
sábado, 8 de abril de 2017
O arroz das mães
Dona Isabel Graça escolhendo arroz:
- Oh Catarina, a minha mãe fazia um arroz tão bom e sequinho, eu nunca consegui acertar com o arroz que ela usava
- Acho que isso não tem a ver com o arroz que se usa Dona Isabel, isso é uma lembrança boa de mãe
- (ela sorrindo) É capaz de ter razão....
- Oh Catarina, a minha mãe fazia um arroz tão bom e sequinho, eu nunca consegui acertar com o arroz que ela usava
- Acho que isso não tem a ver com o arroz que se usa Dona Isabel, isso é uma lembrança boa de mãe
- (ela sorrindo) É capaz de ter razão....
segunda-feira, 3 de abril de 2017
sábado, 1 de abril de 2017
Amêndoa de Portalegre
Preparando encomendas das melhores amêndoas do mundo. Daqui até à Páscoa pode fazer a sua encomenda, freguês, enviamos por correio, basta escrever para merceariademarvao@gmail.com
sábado, 24 de dezembro de 2016
Desejo de Ano Novo
"Quando, finalmente, encararmos as autarquias sem preconceitos políticos e partidários, mas com a noção de que o que importa são as pessoas (todas as pessoas!) então também se cumprirá o Natal em Portalegre, no seio de uma família mais vasta que tem tanto a dar de si, como a receber – a família portalegrense."
Excerto de uma crónica de Luís Pargana
Excerto de uma crónica de Luís Pargana
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Geada nas couves
O Inverno chegou e apresenta-se carregadinho de frio.
Ao descermos a encosta da montanha logo cedinho, a paisagem engana e os pequenos dizem
- Olha mãe, tanta neve
- Não é neve, é geada que é parecido.
Vamos devagarinho para evitar que os pneus do carro se transformem em patins de gelo e apreciamos mais.
Apreciamos as oliveiras já despidas da azeitona que foi para o lagar, e que já ao sol, se envolvem no vapor.
Apreciamos as couves da horta da Água da Cuba, ainda à sombra, ainda geladas. Dali já vieram muitas couves para a nossa consoada.
- Sabem, a geada amacia as couves para o Natal.
Não sei se eles entendem muito bem mas acredito que sentem o conforto de saber que tudo está como é suposto, tudo acontece como deve. O Inverno chega, a geada cobre a montanha em cada amanhecer e já é quase Natal.
terça-feira, 22 de março de 2016
Combater os dias maus com boas garrafas de vinho
Vinha comprar um saca rolhas.
- Não tenho para venda, lamento. - disse em inglês.
Perguntei-lhe se estava instalado num alojamento da vila.
Disse que sim.
Emprestei-lhe um saca rolhas e disse:
- Depois de abrir venha cá devolver-me.
Voltou em 10 minutos, agradecido.
Olhou para os vinhos que tenho na Mercearia. Escolheu um Tapada de Chaves, Disse -lhe que era uma boa escolha e se precisava do saca-rolhas novamente.
Disse que não, que iria leva-lo de volta para a Bélgica, de onde é natural.
- É belga? Caramba, not a good day.
- A minha família está a salvo, disse-me com lágrimas nos olhos. É o importante.
- Ainda bem...
- Mas eu sou funcionário do aeroporto de Bruxelas. Estou de cinco e cinco minutos a consultar o email. Por causa dos meus colegas....
- Tenho muita pena. Tenho mesmo muita pena. Espero que corra tudo pelo melhor.
-.Obrigada pela amabilidade de me ter emprestado o saca rolhas.
- De nada, Hoje precisa de um bom vinho. Tudo de bom.
- Não tenho para venda, lamento. - disse em inglês.
Perguntei-lhe se estava instalado num alojamento da vila.
Disse que sim.
Emprestei-lhe um saca rolhas e disse:
- Depois de abrir venha cá devolver-me.
Voltou em 10 minutos, agradecido.
Olhou para os vinhos que tenho na Mercearia. Escolheu um Tapada de Chaves, Disse -lhe que era uma boa escolha e se precisava do saca-rolhas novamente.
Disse que não, que iria leva-lo de volta para a Bélgica, de onde é natural.
- É belga? Caramba, not a good day.
- A minha família está a salvo, disse-me com lágrimas nos olhos. É o importante.
- Ainda bem...
- Mas eu sou funcionário do aeroporto de Bruxelas. Estou de cinco e cinco minutos a consultar o email. Por causa dos meus colegas....
- Tenho muita pena. Tenho mesmo muita pena. Espero que corra tudo pelo melhor.
-.Obrigada pela amabilidade de me ter emprestado o saca rolhas.
- De nada, Hoje precisa de um bom vinho. Tudo de bom.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
WANT COMMUNITY? BUILD WALKABILITY
"Are the streets narrow enough that drivers slow down and folks feel comfortable on foot?"
Leio partes deste texto e lembro-me de Marvão. Uma vila medieval, de ruas estreitas, calçada e poucos locais de estacionamento. Uma vila onde se vai de uma ponta à outra em 5 minutos. Mas no entanto vejo cada vez mais carros a circular com duas pessoas dentro, parando em frente aos monumentos a tirar fotografias: de dentro dos carros!
Um absurdo.
Marvão de carro deveria ser apenas para os que cá moram, os que cá dormem (hotelaria), os que cá trabalham e os que cá usam os serviços (habitantes concelhios)
Os visitantes, ( e tão bem vindos que eles são!!!!), se não têm mobilidade reduzida, podem e devem deixar os carros fora de muralhas, e desfrutar Marvão a pé, porque é mil vezes mais bonito e enriquecedor.http://www.strongtowns.org/journal/2016/2/23/want-community-build-walkability
Um absurdo.
Marvão de carro deveria ser apenas para os que cá moram, os que cá dormem (hotelaria), os que cá trabalham e os que cá usam os serviços (habitantes concelhios)
Os visitantes, ( e tão bem vindos que eles são!!!!), se não têm mobilidade reduzida, podem e devem deixar os carros fora de muralhas, e desfrutar Marvão a pé, porque é mil vezes mais bonito e enriquecedor.http://www.strongtowns.org/journal/2016/2/23/want-community-build-walkability
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